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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Quem mente melhor?

Na parashá dessa semana Moshe manda os doze espiões verem como está a situação de Israel, a pedido de D'us. É famoso o pecado que eles cometeram: falaram mal da terra, e por isso o povo recebeu o castigo de ficar 40 anos no deserto. No entanto, uma coisa chama muito a atenção de quem lê o trecho. Eles começam falando que estiveram na "terra que jorra leite e mel". E isso não tem nada de errado, afinal de contas, essa é a promessa de D'us para nós até os dias de hoje, mesmo em tempos de crise econômica mundial.

Os espiões começaram todo seu pecado, a grande mentira, com uma grande verdade. Nosso sábios comentam, no local, que para uma mentira ter credibilidade ela deve ter sua parte de verdade. Contar uma história absurda e fora dos padrões da realidade é pedir para não acreditarem nela. O melhor mentiroso não é aquele que conta uma grande mentira - mas sim aquele que consegue aproximá-la da verdade.

O mesmo vale para as outras religiões. Se baseiam completamente em Torat Emet - a Torá da verdade - mas alteram detalhes essenciais, como a unidade divina. Fato que isso é bem aceito é comprovado pelo número de seguidores que existem pelo mundo inteiro. Afinal de contas, a parte verdadeira que elas possuem - a Torá que recebemos no Har Sinai - acaba atraindo muita gente. Mas não é por isso que elas sejam completamente verdadeiras - 99% de verdade é igual a 100% de mentira.

Relações interpessoais que não são preenchidas por transparência e verdade jamais podem durar para sempre. Como dito na Ética dos Pais, uma das bases do mundo é a verdade. Se queremos um mundo melhor, devemos adicionar em nossas vidas os ingredientes que proporcionam sua construção, e não sua destruição. Um dos ideais de um judeu deve ser se assemelhar a D'us. Devemos aprender com Suaas características. Assim como Ele criou o mundo, e é Verdadeiro, devemos ser verdadeiros e continuar Sua criação, sustentando o mundo com verdade.

(na mesma linha de raciocínio, leia nosso post Podar a Árvore)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Just do it

Ninguém gosta de ouvir promessas que não se cumprem. Certamente você já reencontrou com aquele amigo de infância e depois dos caloroso cumprimentos e de se lembrar de velhas histórias, combinaram de sair. No final, deve ter escutado um "vamos sair, mesmo!" ou um "pode deixar que eu te ligo!". Passa o tempo, vocês se encontram novamente em alguma festa e se lembram que o combinado não saiu de suas mentes...
Já estávamos 4 shabatot falando sobre a construcao do mishkan. Nas parashiot anteriores, D'us passa para Moshe todos os detalhes da magnífica obra. Na parasha de pekudê, lemos que Moshe e Am Israel fizeram de acordo com o ordenado por D'us. No entanto, ao invés de economizar parágrafos e capítulos, falando simplesmente "e Moshe fez de acordo com o ordenado", todos os detalhes são repetidos: roupas dos cohanim, cortinas, paredes, os ganchos para estender sobre as cortinas, e os utensílios, entre outras coisas. Tim tim por tim tim, novamente.
Se planejar algo e colocar em prática fosse a mesma coisa, não haveria necessidade de repetir cada vírgula da construção do mishkan. Isso vem nos mostrar que, pelo judaísmo, a teoria e a prática são coisas completamente distintas. Apesar de serem extremamente ligados e dependentes, o momento do planejamento teórico é um, e o da execução é outro. Cada um tem seu valor independente, e por isso, no judaísmo, mesmo que não se entenda algum conceito ou alguma mitsvá perfeitamente, ganhamos sua recompensa somente por realizá-la. É sabido também que todo o objetivo final de estudar Torá é trazê-la ao mundo físico, e transormá-lo, através de mudanças e ações, seja no relacionamento com si mesmo, com os outros ou com D'us.
Aqueles que fazem mais do que falam estão no caminho certo. Como dito em Pirkei Avót (Ética dos Pais), "Emor meat, vaasse harbe" - fale pouco e faça muito.

terça-feira, 24 de março de 2009

Livros ambulantes

Me canso de algumas coisas no meio acadêmico. Apesar de ter contato com professores super simpáticos, não aguento mais ver aqueles pH.D's que sabem muito sobre suas áreas de pesquisa, mas sequer sabem se relacionar com seus alunos. Publicam vários artigos por ano, mas não sabem agradecer os faxineiros que possibilitam a limpeza em seus laboratórios; dão palestras em mega congressos, mas se esquecem que cada um que está lá o admira; trabalham com genes, proteínas, números e exames, mas esquecem que tratam de pacientes.
Na última semana, lemos sobre a construção do mishkan. D'us ordena a Moshe que aqueles que deveriam construí-lo fossem chacham lev - inteligentes do coração. A princípio, muito contraditório. A inteligência é representada pelo cérebro, enquanto que o coração representa os sentimentos. Aparentemente, uma coisa nada tem a ver com a outra, já que para transformar a materia prima no produto final, para construir algo físico, somente o conhecimento técnico é necessário.
No entanto, a própria história do nosso povo nos mostra que o conhecimento não é somente uma coleção de ideias e conteúdo. Como realizadores do holocausto, engenheiros civis construíram câmaras de gás e crematórios, químicos desenvolveram o gás zyklon B, conhecedores de conceitos médicos (que jamais podem ser considerados médicos) faziam experimentos (?!) com seres humanos. Eu poderia dizer que todo o conhecimento que eles possuíam foi jogado fora, desperdiçado, mas isso seria um erro. Pior do que desperdiçar um recurso é utilizá-lo para um fim indevido.Até o momento em que alguém inteligente a utiliza para fazer o bem, de nada vale seu conhecimento. Afinal de contas, no campo prático, o inteligente que não faz o certo e o bobo que também não faz o certo, estão na mesma. Um burro de carga que carrega uma pilha de livros em suas costas continua sendo um burro de carga.
Cada chacham lev foi escolhido porque sabia conciliar seu conhecimento ao comportamento e às relações humanas. D'us não queria de forma alguma que sua morada fosse construída por pessoas que, por mais que fossem geniais e fizessem o trabalho da melhor maneira possível, não soubessem se relacionar uns com os outros. Devemos aprender com eles e proceder da mesma maneira. Devemos fazer com que a distância de 20 cm entre o coração e o cérebro se torne menor ainda.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A grande mistura

Para uma pessoa religiosa, eu diria que eu sou uma pessoa que mantém bastante contato e troca ideias com pessoas não tão próximas do judaísmo. Vira e mexe, escuto um forte questionamento: por que há tanta divisão entre os religiosos, e mais ainda, entre eles e o não religiosos? Será que isso é certo?
A parashá que lemos anteontem conta alguns detalhes do mishkan, entre eles o ktoret (incenso) que era queimado todo dia. No total, 11 ervas compunham sua receita: dez delas com aromas agradáveis, e uma delas com um cheiro não tão gostoso. Não seria estranho, num lugar de tanta beleza (como comentamos aqui), no lugar onde a schiná (presença divina) estava presente (!), colocar uma essência assim?
Nossos sábios comentam no Talmud que isso era um exemplo perfeito de como deveria ser o comportamento do povo. Mesmo com todas as diferenças entre pessoas com estilos de vida variados (e até opostos), todas devem estar juntas, com o mesmo objetivo: assim como os ingredientes do ktoret estavam. E nem por isso a essência excêntrica era deixada de lado. Hoje em dia, vale o mesmo. Pessoas não tão próximas da Torá, religiosos, pessoas que pensam diferente, desconfiados, pessoas com dúvidas e questionamentos: todos devem estar juntos e lembrar que pertencem à mesma raiz.
No entanto, não digo que esse contato deve ser feito de qualquer jeito: a identidade judaica estar firme o suficiente (e aí por sua conta e risco) para uma interação saudável. Conheço pessoas que saíram de repente da "bolha" e acabaram se perdendo. Mas se você vir uma pessoa que se diz religiosa e possui um tratamento pejorativo com aqueles que não se dizem religiosos, questione seu comportamento se baseando no ktoret, e veja se ele possui uma resposta válida.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Direção certa

Como diria a estrela do samba rock, Seu Jorge, "está na luta, no corre corre, no dia-a-dia". De fato, a rotina puxada às vezes nos garante somente poucos momentos livres - e fica difícil não querer descansar nesses intervalos. Por isso uma leve diminuição na frequência com que os posts são colocados, e mais do que isso, as ideias da semana passada ficaram para depois - e o depois é agora.
A parashá da semana passada, terumá, gastou boa parte de seu conteúdo explicando as roupas que o Cohen HaGadol usava. Sua proximidade com o trecho que explica alguns korbanot (sacrifícios) faz nosso sábios concluírem que, da mesma maneira que os korbanot limpavam alguns pecados de Am Israel, assim também as roupas especiais o faziam: o ktonet (um tipo de avental) "limpava" eventuais assassinatos, o michnassaim (um tipo de calça capri) garantia o perdão por relações proibidas, os acessórios usados na cabeça perdoavam aqueles que eram metidos e arrogantes (com o ego lá em cima, assim como a cabeça está lá em cima), e o meil (uma roupa azul - tchelet) trazia perdão por fofocas & cia. - a famosa Lashon Hará.

Um motivo simples para o meil trazer kapara por Lashon Hará é que ele possuía vários sinos ao seu redor. Lashon Hará é feita com o som mais comum: a voz. Os sinos, por também produzirem sons, sons sagrados ao invés de profanos (como das fofocas), nos ensinam em que sentido devemos utilizar nossos dons.

Um motivo mais filosófico é trazido pelo Maharal de Praga. A cor azul do meil é a mesma do tsitsit: ao olhar para essa cor, lembramos do mar, ao lembrar do mar nos recordamos do céu, e o céu nos lembra D'us. Não é simples: algumas etapas necessárias para chegar em um objetivo final, através da nossa imaginação. Com a Lashon Hará é a mesma coisa, porém puxando para o lado ruim: muitas vezes nos deparamos com situações, e ao julgar para o lado ruim, já imaginamos coisas. Coisas que, em muitos casos, não aconteceram em nenhum lugar fora das nossas cabeças. Mais uma vez, o meil nos ensina que todos os dons, características, e super poderes que cada um de nós tem, deve ser utilizado com o intuito de nos tornarmos pessoas cada vez mais bondosas, mais produtivas, ao invés de utilizá-las para trazer mais escuridão à nossa volta.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Limitar o Ilimitado?

Há duas semanas líamos sobre a entrega da Torá. Um evento único na história, que chama a atenção por ter sido algo imponente: milhões de pessoas, milagres expostos. Se tentarmos definir ou conceituar essa Revelação Divina, podemos nos satisfazer com uma palavra: expansão. D'us mostrou para todos que é Único, e expressou isso também com palavras, através dos dois primeiros mandamentos. Ele é Único, e em todos os 510 milhões de km² da Terra e no resto do universo, não existe mais nenhuma divindade.

Pois bem. Essa semana lemos sobre algo inédito (como comentamos antes aqui): D'us ordena que Moshe construa o Mishkan - um templo no melhor estilo "faça você mesmo": flexível e que podia ser montado quando necessário. Além de inédito, isso até soa um pouco contraditório com o Maamad Har Sinai (entrega da Torá). Agora o D'us ilimitado quer que a gente O encontre em um lugar limitado? O D'us infinito quer se "encaixar" em um local de 50x25m? O D'us atemporal quer que a gente tenha contato com Ele em tempos determinados?

Vamos tentar fazer um paralelo, guardadas as devidas proporções. Para eu saber quem é Michael Phelps, não preciso comer 12.000 Kcal todo dia, não preciso treinar horas/quilômetros em uma piscina, e não preciso fazer musculação todo dia (nem tomar dopping?). Não preciso viver a vida do melhor nadador do mundo. Basta ligar a TV numa final olímpica, ver que ele faz 100 metros em 47 segundos, e que ele ganhou oito medalhas de ouro em Pequim. Tudo dentro do que sou capaz de fazer.

Voltando ao nosso assunto, por mais que pareça um paradoxo, essa também é a realidade da Torá. Ela quer que a gente capte Sua presença dentro das nossas possibilidades. Do mesmo jeito que somos limitados por nosso corpo, estamos presos por nossos sentidos. Bastava entrar no Mishkan para ver aquela obra arquitetônica, aquelas lindas peças banhadas a ouro e cobre, sentir o aroma do ktoret (incenso), e assim, em um espaço limitado, se conectar ao D'us infinito. Hoje em dia não muda muita coisa. Ele não quer que façamos nada de outro mundo - basta usar nossos sentidos para perceber a presença Divina nos menores detalhes que regem o mundo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cada coração é precioso


Demorou, mas aqui estamos novamente. Enquanto o povo tupiniquim sai da ressaca do carnaval, nós iehudim só estamos agora entrando no mês da alegria. Ontem foi Rosh Chodesh Adar, o primeiro dia de do mês em que é comemorado Purim. Como diriam nossos sábios, "quando começa Adar, aumenta-se a alegria".

Na parashá dessa semana, terumá, estão alguns detalhes técnicos do Mishkan, e também o mandamento de construí-lo: "Veassu li mikdash, veshachanti betocham" - "E vocês vão me fazer um santuário, e Eu morarei neles". Quem bate de relance na frase, acha que Moshé Rabenu cometeu um gravíssimo erro de concordância - um mikdash: morar nele e não neles.

Nossos sábios explicam que isso não foi nenhum erro gramatical, e mas foi um "erro" intencional. Essa contradição pode facilmente ser explicada. O mandamento de construir um santuário é valido para cada iehudi, e não somente naqueles velhos tempos. Isso se aplica em cada dia do século XXI: devemos trabalhar para lapidar individualmente o nosso próprio "santuário". Nossos corações devem ser aperfeiçoados a cada dia, devemos melhorar nossas midot (traços de caráter), devemos estudar Sua Torá e fazer o bem. Esse trabalho, em cada caso particular, pode ser até mais difícil do que construir aquele antigo e enorme templo físico. Somente assim, com muito esforço e dedicação constantes, a promessa é cumprida: Hashem poderá morar nos nossos corações.

Partindo da parashá da semana, chegamos no assunto da semana - e nada é por acaso. No Rosh Chodesh Adar do ano passado aconteceu uma grande tragédia para Am Israel: um terrorista palestino (com cidadania israelense!) assassinou oito adolescentes que estudavam na famosa yeshivá de Merkaz Harav. Esses oito jovens valiam, cada um, tanto quanto um Mikdash vale para nosso povo. Após um ano desse trágico acontecimento, nos aproximamos mais uma vez da festa de Purim. Esperamos que, do mesmo jeito em que (com muito esforço e crescimento não físico) a tristeza dos tempos de Mordechai foi transformada em alegria, possamos superar a dor e atingir a verdadeira felicidade do mês de Adar.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Quem viu?

É nas últimas duas semanas que se encontra, nas parashiot, uma das fortes provas racionais da emuná - a fé judaica. Ao contrário do que muitos pensam, o judaísmo não é uma fé cega, que simplesmente acredita em milagres vistos por poucos. Antes de acreditar, estudamos muito; nossa fé, antes de chegar no coração, passa pelo cérebro (e já passou por milhares de gênios do mundo da Torá ao longos dos milênios).
Pare para imaginar no que foi a saída do Egito: todos viram o mar se abrindo, e enquanto passavam pela terceira margem (a de baixo) seca, apontavam com seus dedos "Ze Eli veanvehu" - 'Este é meus D'us". Não foi uma pessoa que teve um sonho, não foi um grupo de dez pessoas, mas sim milhões de homens, mulheres, e crianças. Lemos nesse shabat a parte que narra a entrega da Torá. Mais uma vez, os mais de 3 milhões de pessoas viram a revelação Divina com seus próprios olhos, escutaram os trovões, escutaram os primeiros mandamentos da 'boca' de D'us. Algo como 30 estádios do maracanã. Suficiente, não?
Você pode mentir para muita gente durante muito tempo, mas é impossível mentir para todo mundo o tempo todo. É impossível enganar um povo inteiro, mais ainda por milênios. E nós estamos, ano após ano, vivos e comemorando a Pessach e Shavuot - as festas que representam essas duas situações: a abertura do mar e a entrega da Torá - assim como nossos antepassados comemoraram no primeiro ano após esses acontecimentos.
O judaísmo é e sempre será uma religião sem igual, única. Por que? Podemos fazer um blog só pra isso, mas uma boa resposta é que apresenta fatos históricos únicos, não encontrados em nenhuma outra das religiões (que, por acaso, saíram dela).

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Mastros no Mar Vermelho

Para nós, yehudim, globalização não é uma novidade. Judeus de todos os cantos do mundo vivem em sincronia, através de um mesmo calendário e um mesmo estilo de vida. É exatamente essa característica que ajuda a absorção de um yehudi em qualquer canto do mundo: sempre é possível encontrar algo que relembre a nossa casa (as mesmas rezas, os mesmo livros, os mesmos costumes, e até mesmo as mesmas piadas).
Porém existem diferenças, especialmente em Israel. A vida judaica aqui adquire um caráter nacional, o que a enriquece muitíssimo. Shabat passado lemos na Torá o "Az iashir" - a canção que o povo judeu cantou após a abertura do mar Vermelho, comemorando e agradecendo a bravura de D'us. Entre outras coisas que lembramos nessa canção está o conhecimento de que D'us é Aquele que guerreia por nós. "HaShem ish milchama, HaShem shemo". "D'us é um homem de guerras, D'us é o seu nome". Na continuação da parashá também lemos sobre a primeira guerra (e consequentemente, a primeira vitória) propriamente dita do povo judeu: a guerra contra Amalek.
Aproveitando esse cenário de fundo, o rabinato chefe de Israel decretou que esse Shabat seria dedicado para agradecer a D'us pelos milagres que Ele realizou nessa última guerra, no mês passado, em Gaza. Passei o Shabat em Kriat Arba, ao lado de Chevron. Após a reza de Kabalat Shabat e Arvit, fomos jantar com a família, e depois, mais tarde voltamos a sinagoga para cantar algumas músicas (conhecidas pelos sefaradim como "Bakashot"). Após aquecermos as gargantas, preparamos os ouvidos para escutar as histórias de alguns soldados que estiveram em Gaza.
Não importa quantos milagres escutemos, sempre é chocante escutá-los de primeira mão. Um soldado comentou que em um dado momento, na primeira semana da guerra atiraram granadas contra o seu destacamento. Ele contou, que ele próprio foi pego de surpreso e não teve reação naquele instante. Porém as granadas não explodiram. Outro deles contou que o seu destacamento havia sido designado para invadir Gaza na primeira noite da guerra, porém por problemas técnicos a invasão foi adiada até a manhã seguinte. Conforme os soldados foram avançando no dia seguinte, puderam distinguir fios elétricos espalhados no meio do vinhedo por onde eles avançavam. Assim que se deram conta, começaram a recuar: explosivos. Quando haviam conseguido atingir uns 100 metros de distância, escutaram as cargas explodindo: 7 delas de vários lugares simultaneamente. Ele contou que vários soldados foram jogados ao ar devido a força da explosão (e muitos viram as armas escaparem de suas mãos), porém apenas dois se feriram levemente. Seria impossível distinguir os fios no meio da noite.
Outro soldado contou que o seu comandante, não religioso, chegou para o seu destacamento no primeiro dia da guerra com um pacote cheio de tzitziot: "Ninguém entra em Gaza sem vestir um tzitzit antes! Isso irá nos proteger!". De acordo com ele, inclusive dois soldados voluntários peruanos (que não eram judeus) também vestiram os tzitziot. No fim do segundo dia dos combates quando puderam descansar, puderam perceber que havia furos de balas nas suas armas (no "cat", a parte de trás do fuzil, que é apoiada no ombro, a alguns centímetros da carótida e da jugular).
Milagres atrás de milagres... A palavra para milagre em hebraico é "nes". "Nes" também significa mastro. Algo que pode ser visto à distância. Através dos milagres, D'us acena para todos que ele está ali atrás.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Mãos à obra!

É nessa semana que se conta sobre a saída do Egito e sobre a abertura do Iam Suf. Li um dos comentaristas falando que no momento em que o mar se abriu, todas as águas do mundo se dividiram em duas. Fiquei imaginando como seria beber um copo de água aqui no Brasil, como seria Michael Phelps terminando um revezamento em Pequim e a situação de desespero no Sea World, em Orlando, entre outras viagens.

Voltando à realidade, uma passagem merece destaque. Assim que soube que Am Israel ainda estava próximo, o Faraó resolveu voltar atrás de sua decisão, e pegar todo o povo e tudo o que tinham levado. Assim, Am Israel ficou encurralado e, no desespero, reclamaram ao seu líder Moshe. Mesmo sabendo que todos iriam se salvar (e que, para que isso acontecesse, teria que andar em direção ao mar), Moshe resolveu rezar para D'us. Como uma resposta diferente do que nosso líder esperava escutar, D'us lhe fala: "Você vai continuar pedindo para mim?"

É óbvio que tudo o que fazemos depende Dele. De acordo com a tradição, "hakol min hashamaim" - "tudo vêm dos céus". É indiscutível que devemos rezar muito pedindo que todos nossos planos e ações tenham sucesso. No entanto, a nossa parte deve ser feita. Em condições normais, se não houver um shaliach, um executor no plano físico, as coisas não se desenvolvem e o mundo não roda. Além de ficar somente pedindo, devemos lembrar que a vontade Dele é que nós sejamos Seus parceiros; que a gente também ponha a mão na massa e consiga atingir os objetivos, em todos os planos, na construção de uma vida melhor, e então de uma sociedade melhor e, por fim, de um mundo melhor.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sabe Tudo?

É sabido o quanto os religiosos acreditam que D'us é Aquele que tudo pode fazer. Aquele que, por ser completo, não precisa de nada. Como falamos a cada ano nas tfilot de Rosh Hashaná e Yom Kipur, "Vekol maaminim shehu kol iachol" - "E todos acreditam que Ele pode tudo". Como disse David hamelech no tehilim (salmos), "Ele sabe de todos os pensamentos de todos homens". Agora, para quem passou pela parashá Bo, que lemos na ultima semana, ou pra quem lembra da história da Hagada de Pessach, surge uma pergunta óbvia. D'us pede que os iehudim coloquem no batente das suas casas um pouco do sangue do korban (sacrifício), para que Ele soubesse quais casas não castigar com a última praga, a dos primogênitos. Será que realmente D'us não sabia quais casas eram de egípcios ou não? De maneira semelhante, por que precisamos rezar três vezes por dia, pedindo tudo o que queremos, se antes de nascermos Ele já sabia tudo o que iria passar pela nossa mente?
Para fazer o korban (e não deve ser nada fácil matar um animal que é idolatrado no país onde se mora), os iehudim tiveram que se esforçar muito. Como consequência do esforço realizado, deram valor, e por isso se poderiam se sentir identificados, se sentir queridos, e com a sensação que Alguem está aí pra eles. Sem dúvidas, com isso se fortificam a identidade judaica e o contato com D'us. No caso das rezas, é a mesma coisa. Paramos ao acordar, ao meio do dia, e à noite para lembrar que temos um contato com D'us. Lembramos Suas vontades, nossas vontades, e do mesmo modo a identidade também se fortalece.
A resposta para as duas perguntas é a mesma. Com certeza, Ele sempre soube de tudo o que pode ter pensado em surgir na face da Terra, e Ele não precisa de nada. Justamente por isso, somos nós os únicos que têm algo a ganhar fazendo o que Ele manda. Cada mitzvá é uma chance de cada um de nós crescer e se aproximar Dele.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Homens livres e shlichim

Aqui em Israel estamos no meio de uma guerra diplomática que foi aberta em várias frentes. Expulsamos o embaixador da Venezuela ontem (depois que o Huguito expulsou o embaixador israelense e vários shlichim da agência judaica de Caracas há algumas semanas). Fizemos com que o primeiro ministro turco abandonasse o fórum em Davos (depois de reafirmarmos o nosso direito a auto-defesa). E estamos pensando em alguma resposta para a decisão espanhola de processar oficiais do exército israelense por crimes de guerra (talvez seja essa a hora de pedir indenizações pelos judeus que os malditos avós dos espanhóis queimaram nas fogueiras da inquisição. Acho que isso configura um crime contra a humanidade, não?).
Enfim, espero que a vitória diplomática de Moshê no Egito (valendo-se de todos os meios de pressão disponíveis) na parashá dessa semana, possa nos iluminar.
Aliás, é nessa parashá que Moshê abre o segundo front de sua guerra: como tirar o Egito de dentro dos judeus. Como fazer com que 600 mil pessoas abandonem uma mentalidade de escravos?
A primeira medida (ou mitzvá, no vocabulário da psicologia do Tanach) foi o mandamento de santificar meses. No judaísmo os meses são lunares (numa antítese ao calendário egípcio pagão, baseado no sol), e quem declara o nascimento do mês é o tribunal central (que ficava ao lado do Beit HaMikdash) com base em testemunhas, que afirmavam terem visto a lua nova.
Ou seja: homens livres devem saber que eles tem o tempo em suas mãos. Somos nós que instituímos o nosso calendário (e consequentemente, as datas das festas, inclusive Pessach). Um escravo não precisa se preocupar com o relógio: o seu senhor se preocupa por ele. Mas nós somos homens livres, com todos os direitos e obrigações que isso implica.
A outra medida foi a instituição do Korban Pessach. Os judeus deveriam tomar um carneiro (que era idolatrado como deus pelos egípcios), amarrá-lo por 5 dias nos pés de suas camas, e sacrificá-lo e comê-lo no 5o dia. Que desparate aos egípcios! Onde já se viu? Matar e comer o deus alheio (ironia do destino: foi essa mesma acusação que a igreja católica carregou contra nós por 2000 anos). É verdade que devemos respeitar as idéias alheias, mas há um limite de quanto podemos tolerar – principalmente dentro de nossas casas.
Dentro de nossas casas nós somos soberanos, e não podemos aceitar qualquer influência cultural pagã. A ousadia é o contrário da submissão escrava.
Por fim. As leis do sacrifício de Pessach são a base do conceito de sociedade e “shlichut” (representação; procuração).
Duas famílias com poucos integrantes podiam dividir as despesas na compra de um único carneiro para ambas (a sociedade). E quando o representante da família sacrificava o carneiro, ele isentava toda a sua família da obrigação de sacrifício. Por mais que a Torá obrigou todos os judeus a sacrificarem carneiros, um único judeu podia representar e cumprir a obrigação de vários outros (que o nomeassem como “sheliach”). Nas palavras do Talmud: “Shlicho shel adam kemoto”. “O procurador de uma pessoa é como ela própria”.
Esses conceitos de sociedade e representação são a base do conceito de um povo e de uma nação. São a base de uma filosofia coletiva, onde existe um pacto social e uma obrigação mútua entre um grupo de pessoas. Parte do processo de virarmos indivíduos livres, é entendermos que fazemos parte de um povo, com o qual compartilhamos um passado e um futuro comum.
E é exatamente esse conceito que se esconde por trás de toda ofensa diplomática: quando o Chavez expulsa os enviados da Agência Judaica de Caracas, ele está enviando uma mensagem a todos os judeus do mundo, que são representado por eles. A mesma coisa com a decisão do juiz espanhol e os oficiais do exército de Israel. É exatamente por isso que a nossa resposta deve ser dura e exemplar. Por que nós somos homens livres.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Já está mais do que na hora de mudar

Na sinagoga, vemos essa semana que Moshe começa a luta para que os judeus saiam do Egito (valendo-se de meios diplomáticos e armas não convencionais). No jornal, os nossos soldados saíram de Gaza. Assim como o Faraó dava sinais de apaziguamento durante as pragas (e prometia libertar o povo judeu) mas depois voltava atrás, os palestinos também esquecem de quaisquer promessas e já aproveitam o atual período de trégua para se rearmarem. Infelizmente nós ainda não aprendemos a lição da História.

Aliás, os nossos sábios explicam que mais difícil que tirar o povo judeu do Egito, foi tirar o Egito de dentro do povo judeu. Em outras palavras: é difícil mudar a mentalidade de um povo que se acostumou a viver como escravo. Essa mentalidade explica o medo que o nosso povo teve de vir para Israel quando pecou com os espiões. O mesmo fenômeno ocorre hoje em dia. Temos o nosso país independente, mas ainda temos uma mentalidade dependente (como se diz em hebraico: "uma cabeça de exílio"). Desde que nossos soldados entraram em Gaza, Israel sofre muita pressão dos dirigentes, porém não respondemos a altura.

Por que quando a Rússia diz que "está preocupada com a situação humanitária em Gaza", não respondemos que "estamos preocupados com a situação humanitária na Chechênia"? Desde que começou a guerra, mandamos quase que semanalmente representantes ao Egito, que se enxerga como "o diplomata do Oriente Médio", para tratar sobre a "crise humanitária" e sobre o futuro controle na fronteira entre Gaza e o Egito. Por que o Egito não se deu ao trabalho de mandar uma única vez um representante a Tel Aviv? Aliás, por que nós não exigimos isso deles?

Há um consenso de que sempre que há uma negociação somos nós que devemos nos humilhar. Que o mundo pense assim é natural. Que nós concordemos com isso é assustador. Assim que saímos do Egito, D'us nos proibiu de voltar para lá (e esse é um dos 613 mandamentos). A partir da hora em que nos outorgaram a soberania, estamos proibidos de voltar a pensar como escravos. Nossos soldados deram a vida em Gaza para devolver a honra ao nosso Estado, e é imperdoável que nossos líderes joguem ela pela janela a troco de nada.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Tá se escondendo do que?

Pare para pensar em quem foi Moshe. Aquele que cresceu no palácio do Faraó e manteve sua personalidade judaica. Aquele que foi a pessoa mais humilde a existir na face da Terra. Foi Moshe quem mostrou ao Faraó quem manda no mundo, foi Moshe quem D'us escolheu para abrir o mar. Ele conduziu o difícil e teimoso Am Israel no deserto durante 40 anos (eu não aguentaria nem um ano em qualquer cidade desenvolvida...). Por fim, mais do que tudo, foi ele quem ouviu e aprendeu toda a Torá (tanto a escrita como a oral) da 'boca' de D'us. Cada um desses motivos já seria suficiente por si só para mostrar sua grandeza. Imagine dois deles juntos, agora três, e agora todos eles juntos. Agora eu te pergunto: como é que uma pessoa dessa grandeza moral/espiritual foi proibida por D'us de entrar na prometida e esperada eretz Israel?!
Uma das respostas está na parashá que lemos na semana passada (eu sei que já postamos algo aqui, mas nunca é tarde, nem demais...). Moshe fugiu do Egito, foi para Midian, e lá ajudou as filhas de Itró. Elas o chamam para comer em casa, e quando o pai pergunta quem as ajudou, elas dizem que foi um tal egípcio. Na frase seguinte, lemos que Moshe já estava contente ao se sentar com Itró.
Para qualquer um de nós, não parece nada de grave. Mas para alguém do nível de Moshe, não fazer questão de corrigir as meninas e dizer "ei, egípcio não! Judeu!" foi um tremendo de um erro - e talvez por isso foi castigado e proibido de entrar em eretz Israel. É claro que tudo tem sua hora e não devemos falar qualquer coisa em qualquer momento. Mas em alguns casos do cotidiano não devemos ter medo nem vergonha de assumir a identidade do povo a que pertencemos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Ioiô

Pode parecer o maior dos clichês, mas é pura verdade. Chame ele de 'o mundo da voltas', 'tudo que vai volta', ou como preferir.Na parashá dessa semana, shemot, temos o nascimento daquele que um dia traria a Torá para esse mundo. De acordo com o decreto do Faraó, todos meninos recém nascidos deveriam ser jogados no Nilo. O poderoso e influente rei do Egito nunca imaginaria, no entanto, que o alvo de seu decreto seria um dia o líder do povo que afundaria também na água, seu até então super exército.Segundo a Torá, o mundo é regido de acordo com esse conceito: midá kenegued midá (ou medida por medida). E isso vale pra tudo. Quem sorri recebe outro sorriso, quem ensina também aprende, fulano é bom com as pessoas à sua volta e assim são com ele também. Pode demorar, as pessoas podem não perceber no momento, mas quem segue os caminhos certos sempre é recompensado. Alguém sabe cadê a descendência do Faraó e de todo seu império?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Parashá stuma

Amanhã é dia de falar chazak chazak venitchazek: terminamos a leitura de Bereshit desse ano. Aportuguesando, 'muito bem'. A última parashá do primeiro chumash é vaiechi, onde são contados os últimos momentos de Itschak. Todas as parashiot são separadas entre si por espaços de 9 letras, ou começam na linha seguinte. No entanto, essa é a única entre todas as 54 que não é separada - é uma parashá stumá, em hebraico, fechada.

Nossos sábios z"l explicam que o motivo é simples: com a morte de Yaakov, os olhos e corações dos seus filhos se fecharam. Eles não deram importância para as últimas palavras da parashá anterior, que diziam que os filhos de Yaakov (ou Israel) - literalmente, bnei Israel - já tinham muitas terras no Egito. Não somente tinham parte na terra do Egito, física, como também já estavam por dentro da cultura local, espiritual. Em outras palavras, estavam começando a se assimilar e esquecer dos princípios e ideais que aprenderam com o pai. Se estivessem com os olhos mais abertos, iriam ver que a escravidão não era algo tão distante - foi somente uma consequência.

Se eles fecharam os olhos para uma coisa que estava por vir, e se deram mal, a gente tem que aprender a ficar esperto também. O que falar então das situações em que as coisas estão claras, em baixo do nariz, e a gente nem percebe que a solução está bem ali? Basta abrir os olhos e encontrar a resposta.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Amor de irmão: não tem preço

Em meio ao atual conflito, voltamos alguns milênios para aprender um pouco. Há uma semana comentamos sobre a primeira ida dos irmãos de Yossef ao Egito. Amanhã é lido o trecho em que os irmãos vão novamente para lá em busca de mais comida e em busca do irmão Shimon, que tinha ficado da primeira vez como uma garantia de que eles voltariam.

Os irmãos ainda não sabiam que o vice-rei era seu irmão, mas Yossef sabia muito bem quem eles eram. Ainda estavam gravados na sua memória e em seu coração todos os sentimentos que os irmãos tinham por ele - ciúmes, inveja, ódio - e ele sabia muito bem que eles tinham o vendido e inventado ao pai a mentira de que ele foi atacado por um animal. No entanto, uma coisa surpreende no segundo reencontro - e mais uma lição de como se comportar com os outros. Yossef iria confessá-los que o poderoso vice-rei era o mesmo irmãozinho que foi tacado no poço anos antes. Presentes na cena, os irmãos e alguns egípcios importantes. Antes de abrir o coração e contar, Yossef fez questão de retirar do lugar todos os estranhos. Só depois disso ele disse chorando "Ani Yossef" - Eu sou Yossef.

A princípio, nada de mais. Mas nossos comentaristas não deixam barato. Se maltratar um ser humano é algo ruim, nem precisamos falar o quanto é tentar matar um irmão (!): certamente, os irmãos iriam se envergonhar do que fizeram. Sabendo que seria assim, Yossef não queria humilhá-los na frente dos outros. Pense no quanto isso é grande: mesmo com todo o ódio que recebeu deles (não só na forma de insultos verbais, mas mais ainda por atitudes práticas) enquanto viviam juntos, Yossef agiu com amor máximo, sem fazer com que fossem humilhados em público.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Nada de estardalhaço

No desenrolar dessa parashá, Mikets, Yossef sai da prisão em que esteve por dois anos e desvenda os sonhos do Faraó. Por acertar na mosca, vira nada mais nada menos do que o vice-presidente do Egito, o mão direita do Faraó. Como previsto nos sonhos, se iniciam os anos de miséria após os sete anos de fartura. Todos ficam sem alimentos - fora o Egito, que armazenou muita coisa dos tempos de vacas gordas (será daqui, do sonho do Faraó, a expressão usada nos dias de hoje?).

Muito distante geograficamente, mas também em crise, Yaakov manda seus filhos descerem ao Egito para comprarem a comida lá guardada. Nossos sábios fazem questão de ressaltar que os dez irmãos foram recomendados por seu pai a entrarem na cidade dispersos, cada um por um portão. O motivo é simples. Um gringo já chama atenção. Dez estrangeiros andando juntos chamam muita atenção. Dez estrangeiros com dinheiro andando juntos chamam muito mais atenção.

A Torá não é um conjunto de informações históricas para divertir as crianças ou nos entreter. Não é uma novela dividida em capítulos. Ela não é algo distante ou inatingível: nos foi dada para que cada um de nós possa aprender com seus ensinamentos do dia-a-dia e de comportamento. Modéstia, humildade, simplicidade, fugir da exibição, tsniut (ser discreto). Essas são características que todo Iehudi deve aprender com a história de seu povo e aplicar na própria rotina, sendo traços inseparáveis de sua essência.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Festa em Gaza

Essa semana o Hamas comemorou seus 21 anos de existência. Aproximadamente 150.000 pessoas saíram às ruas de Gaza para festejar com suas bandeiras, bonés e faixas verdes que representam a ideologia do Hamas. Em uma cerimônia com músicas e peças, tivemos um presente nem um pouco agradável: eles fizeram uma encenação tirando sarro de Guilad Shalit. Um terrorista do Hamas vestia a roupa do exército israelense, e imitava o soldado pedindo por liberdade. Shalit já em cativeiro há mais de 900 dias.
Por incrível que pareça, amanhã lemos na parashá de Vaieshev o que sofreu Yossef enquanto estava preso no Egito, e todas as ridicularizações que faziam em cima dele após o que ocorreu com a mulher de Potifar. Espero que da mesma maneira que Am Israel saiu do Egito, mesmo passando por muito sofrimento, Guilad também saia do cativeiro, porém mais rápido que seus antepassados - dois anos já foram mais do que suficiente para nos dar tristeza.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Diga mais obrigado

Essa vem de uma das últimas parashiot, vaietsê. Pode parecer uma coisa óbvia depois de lida, mas poucos reparam na sua importância. Nascem os filhos de Yaakov, e, um por um, são explicadas as origens de cada nome. Um deles tem a ver com todo iehudi: Iehudá. É esse nome que irá marcar Am Israel para sempre. Segundo sua mãe, Lea, o nome tem a ver com agradecimento a D'us (em hebraico hodaá -> Iehudá) 
Até os dias de hoje, é isso que marca (ou deveria marcar) a vida de todo iehudi. Desde as primeiras palavras que falamos ao acordar, o modê ani, até o momento em que vamos dormir, nossas vidas são recheadas de reconhecer o bem que os outros nos fazem. Dar valor a cada atitude feita pelos outros, ou a cada segundo da vida, deve ser algo inseparável da nossa essência. Em hebraico, hodaá pode servir tanto como agradecer, quanto como reconhecer. Na realidade, ao reconhecer o bem que recebemos, automaticamente devemos agradecer. Em hebraico, chamamos a isso hakarat hatov - 'reconhecer o bem'.
Coisas que parecem simples e cotidianas - como respirar, comer, dormir e acordar, ter amigos - ao serem olhadas com as lentes do agradecimento, são muito mais valorizadas. Como em tudo no mundo iehudi, gastamos nossa energia e empenho pelos outros, mas, no fim das contas, quem sai ganhando somos nós mesmos. Agradecendo aos outros, é a nossa própria vida que melhora.