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quinta-feira, 2 de abril de 2009

[livros] - Desvendando o Homem

Foi lançado, essa semana, o livro Desevendando o Homem. O autor, Rabino Samy Pinto, explora o pensamento do Maharal de Praga sobre a educação. Entre outros assuntos abordados, é dada ênfase ao amor necessário à educação de cada indivíduo, antes de se pensar na educação de uma comunidade inteira.
No evento estavam presentes, entre líderes da comunidade, o educador e vereador mais votado das últimas eleições, Gabriel Chalita (vale a pena ler seus textos), e um professor da Universidade Bar Ilan (Israel). Rabino Samy Pinto possui bacharelado em Economia pela Faculdade de Ciências Econômicas do Rio de Janeiro, é especialista em educação pela Universidade Bar Ilan, e pH.D. em Letras Orientais pela USP.
O livro pode ser comprado na Livraria Sefer. Transcrevo aqui a contra-capa do livro, escrita por Gabriel Chalita.
"O livro do Rabino Samy Pinto é uma obra-prima, uma reflexão cuidadosa sobre a complexidade do sistema educacional e a sua relação com a essencialidade humana: a felicidade. A felicidade humana é a nossa maior vocação. Sua definição é simples e, paradoxalmente, complexa. Ser feliz é ter virtudes. É amar ao outro e a si próprio. A felicidade contempla o bem e nos faz ser bons. Ilumina com sabedoria e nos faz conviver, compartilhar a vida harmoniosamente com outros seres humanos. A sabedoria nos ensina a moderação e a compreensão. Moderamos os nossos apetites e compreendemos o outro, que não é o resultado de nossas projeções, mas é sujeito de sua própria história. Essa felicidade nos leva a viver em paz. Paz interior e paz social.
E é esse o nosso sonho. Transformar a nossa vida num serviço, superando vícios e construindo virtudes. A ética, caminho único para a felicidade, segundo Aristóteles, nos conduz por essas sendas. A riqueza do meio termo, do equilíbrio, do respeito na edificação de um mundo mais harmonioso.
E a educação é o melhor caminho para que a potência humana se concretize em ato. Tudo vem dos bons hábitos semeados durante a infância e a adolescência. Daí a importância crucial da educação como agente de transformação e elevação do ser humano. A reforma educativa judaica proposta pelo Rabino Maharal nasceu das inquietações desse filósofo da educação que, observador crítico do sistema educacional ashkenazita da época, ansiava por uma pedagogia transformadora, humanizadora e intelectualista. A educação sempre foi objeto de investigação de homens iluminados. São os entusiastas. Entusiastas como Maharal, entusiastas como Samy Pinto, que nos presenteia com este brilhante trabalho sobre a trajetória de um educador que preconizava que as "boas raízes jamais permitirão que árvores caiam e que seus frutos deixem de alimentar a sociedade". O Rabino Samy Pinto é a prova disso. Consegue unir densidade acadêmica, discurso e prática a serviço do outro, do seu encontro com a vocação primeira, ou seja, a felicidade plena."

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Vida dupla X Vida ampla

Chame ele de sir, de rabino, ou de Ph.D: Jonathan Sacks. Dos seus vários livros, somente 3 foram traduzidos ao português, e um deles foi publicado pela Editora Sefer, em 2007: Para Curar um Mundo Fraturado. Coloco aqui um trecho em que ele transcreve a carta que um rav respondeu ao seu aluno, quando esse perguntou se fazer uma carreira acadêmica, fora do contexto religioso, seria levar uma vida dupla. O aluno temia abrir mão do sagrado estudo de Torá. Ai vai a resposta, que por si só dispensa comentários:

Quero dizer a você que, na minha opinião, as lutas internas sobre as quais você escreve têm sua fonte em uma compreensão equivocada do assunto. A impressão geral que se percebe de suas palavras é que você está agindo sobre o pressuposto de que procurar uma 'carreira secular' significa levar uma 'vida dupla'. Não preciso lhe dizer que eu nunca concordaria que você levasse uma vida dupla. Alguém que aluga um quarto para viver e ao mesmo tempo é hospede de um hotel certamente está levando uma vida dupla. Mas uma pessoa que aluga um apartamento com dois quartos não leva uma vida dupla, mas uma vida ampla.
Eu me lembro de uma visita que fiz a um hospital em Jerusalém, onde trabalhava um médico ortodoxo. Vi que se aproximou do paciente que estava prestes a operar. Perguntou a ele o nome da sua mãe, para que pudesse fazer uma prece pelo sucesso da cirurgia. Quando contei este episódio a um dos grandes Sábios da Torá em Jerusalém, ele exclamou: 'Que maravilha ser como um judeu assim, ter uma oportunidade tão grande de servir de veículo a gloria dos Céus!' Diga-me, querido amigo: um médico que está prestes a realizar uma cirurgia em um paciente e recita um salmo pedindo por sua recuperação plena está levando uma vida dupla?
Querido amigo, que D'us não permita que você veja a si mesmo como alguém que leva uma vida dupla. Nossos sábios dizem que 'Quem prolonga a palavra Um [echad, em hebraico, no Shemá], prolonga os seus dias e anos'. Assim, ao longo de sua vida, esteja entre aqueles que 'prolongam o Um' - focalizado na unidade, não na dualidade. Eu ficaria muito triste se isto não se tornasse claro para você. Uma série de pontos espalhados sem critério certamente constituem uma multiplicidade, mas o mesmo número de pontos ordenados ao redor de um único ponto central formam um círculo. Esta é a sua missão na vida - colocar o 'Um' no centro da sua vida. Então, você não precisará se preocupar com dualidades. Cada novo ponto que você acrescentar apenas aumentará o círculo. Mas sua unidade permanecerá"

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Rav e Ph.D.

Recentemente li um livro do Rav e Ph.D. Norman Lamm, presidente da Yeshiva University durante quase 30 anos. Em 'Torá uMadá: Judaísmo e Conhecimento Secular' (ed. Sefer, 2006), o autor expõe e defende diversas maneiras de conciliar o estudo da cultura judaica aos estudos acadêmicos. São discutidos vários argumentos usados por aqueles que seguem a tendência de 'somente Torá', e os mesmos são rebatidos por Lamm, demonstrando sua visão de mundo mais aberta.
Coloco aqui um texto que ele usa para ilustrar os perigos de se fechar em seu próprio mundo e fingir que outras culturas (novas, mais abertas ou modernas) e problemas não existem, indicando que tal comportamento é um sinal de vulnerabilidade e medo, ao invés de segurança.
"O Pesadelo
Estou viajando em um automóvel confortável enquanto o clima lá fora é decididamente inclemente - as luzes ficam distorcidas e confusas na medida em que se refletem no asfalto molhado e o trânsito está pesado em ambas direções. As janelas estão bem fechadasm deixando para fora o ruído nervoso de buzinas barulhentas, freios guinchando e engrenagens rangendo. O sistema de ar-condicionado do automóvel cria um ambiente artificial de rara paz e conforto enquanto o rádio toca minha música favorita em som estéreo, e o metrônomo incessante dos limpadores de pára-brisa ditam o seu próprio ritmo obtuso. Por um momento - mais que um momento - eu permaneço distraído do mundo tumultuado que existe fora do carro. As luzes ofuscantes, a desordem e os ruídos irritantes evaporam da minha consciência enquanto desfruto da relativa tranquilidade dentro do meu carro. Meu olhar fixo desvia-se do pára-brisa e se volta gentilmente para as luzes delicadas que cintilam desde os seus seguros números digitais do painel autmoatizado como se fossem algumas estrelas. Sorrio por dentro, na medida em que a minha auto-hipnose repele com sucesso o pandemônio e os pergios do mundo lá fora, o caos perturbador do avanço pela rodovia ou o cruzamento urbano com os rugidos da estrada diante de mim. Imagino o interior do automóvel como um Mundo em si mesmo, meu próprio universo autocontido, seguindo suas próprias regras e buscando o seu próprio destino, seguindo em qualquer direção que desejar, um reino autônomo. Uma sensação de euforia faz com que as minhas pálpebras se fechem. De repente, o estrondo de um batida..."

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

[Livro] Assim nasceu Israel - Lançamento

Dia 29/11, sábado, às 19h45, em Curitiba, será lançado oficialmente o livro "Assim nasceu Israel", de autoria do diplomata guatemalteco Jorge García Granados. Escrito em 1949, só agora traduzido para o português pelo jornalista Szyja Lorber em parceria com a bioquímica Sara Schulman, e é o primeiro relatório detalhado, feito por uma testemunha que viveu o que a Comissão Especial das Nações Unidas para a Palestina (UNSCOP) encontrou na Terra Santa, como e porque se decidiu pela partilha e como nasceu Israel. O lançamento acontecerá na Livraria Saraiva do Shopping Crystal Plaza, Rua Comendador Araújo, 731, Batel. Haverá palestras sobre o tema com o jornalista Aroldo Murá Gomes Haygert e com o professor Antonio Carlos Coelho
 
Granados foi o primeiro embaixador da Guatemala em Israel e instalou a embaixada em Jerusalém. Décadas mais tarde, a Guatemala, sob pressão internacional mudou a embaixada para Tel-Aviv.
 
No ano passado, Israel reuniu os descendentes dos representantes latino-americanos que participaram na UNSCOP e da votação da partilha para um evento especial pelos 60 anos da decisão da ONU. Foram recebidos pelo presidente Shimon Peres, inauguraram uma praça e participaram de um almoço no Ministério das Relações Exteriores. O bisneto de Granados foi escolhido para falar em nome dos homenageados. E surpreendeu a todos com uma declaração que dizia que ele "se sentia muito honrado em ser descendente de alguém escolhido por Deus para o ser o instrumento de Sua promessa de dar povo judeu a terra de Israel".

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

[Livro] O menino do pijama listrado

Você já parou pra imaginar o que uma criança alemã pensava sobre a segunda guerra mundial? É com base nessa idéia que John Boyne desenvolve a trama do livro: ele narra as conseqüências ao pequeno Bruno da mudança de sua família, da grande Berlim para uma cidade isolada. Lá, Bruno se vê em uma nova rotina, sem seus amigos, mas por outro lado uma série de perguntas surgem sobre a realidade da nova casa. O livro surpreende o leitor diversas vezes com os simples e inocentes comentários de Bruno - como o de achar que prisioneiros de um campo de concentração vestem pijamas listrados.

O livro ganhará um filme - o trailer você pode conferir abaixo - cuja lançamento está previsto para dezembro desse ano (isso nos Estados Unidos...). Recomendo para quem ainda não leu o livro que não veja o site do filme nem o trailer - antes é melhor deixar a imaginação rolar solta através da leitura das 186 páginas do livro.