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terça-feira, 12 de maio de 2009

Lag Baomer: mais de vinte séculos, lições atuais

Hoje é Lag Baomer, o trigésimo terceiro dia da contagem entre Pessach e shavuot. Foi no mesmo dia que hoje que pararam de morrer, há quase dois mil anos, os alunos de Rabi Akiva pela falta de respeito um com o outro. É hoje também o aniversário de morte de Rabi Shimon Bar Iochai (um dos 5 alunos que sobraram de Rabi Akiva após a peste). Ele foi o autor do livro base da tão comercialmente explorada kabalá, e quis que seu aniversário de morte fosse comemorado com muita alegria.

Um dos símbolos que representa este dia é o arco e flecha. A explicação para isso é que na época de Rabi Shimon Bar Iochai os judeus eram proibidos de estudar Toraá Como é impossível um judeu se desligar da Torá, eles A estudavam escondidos. Quando os guardas do imperador vinham ver o que estavam fazendo, sacavam cada um seu arco e flecha e fingiam estar treinando.
Mas o arco e flecha não nos passa somente a mensagem da resistência espiritual (e hoje em dia, da liberdade e da vitória do povo judeu sobre aqueles que tentaram destruí-lo). Ele transforma toda a energia potencial em movimento. Quanto mais pra trás a flecha vai, maior é a distância que ela alcança. Quanto mais esticada a corda, mais energia armazenada.

O mesmo vale para cada um de nós. Quanto mais afastada do judaísmo uma pessoa é, maior é seu mérito ao cumprir qualquer mandamento, e maior é sua recompensa. Nós vivemos distantes de Israel, no "fim do mundo à esquerda" do judaísmo, e convivemos com tantas outras culturas. Cada pequena mitzvá cumprida, justamente por ser mais difícil e suada, é muito mais considerada, e suas consequências, físicas ou não, conseguem chegar muito mais longe.
Dessa maneira, o arco e flecha também simboliza esperança. O judaísmo não vê o sofrimento/dificuldades de forma negativa: D'us faz tudo para o bem, com o objetivo de transformar a pessoa, buscando um crescimento pessoal (leia "Eu quero! Eu quero!"). Que quando 'nossas cordas estiverem esticadas', olhemos um pouco para o futuro, imaginando a flecha indo bem longe, e assim recebendo mesmo as dificuldades com amor a D'us.

domingo, 29 de março de 2009

Mais de 1000 dias no cativeiro


Semana passada e essa semana houve uma grande decepção em Israel. Todos acreditavam que o Guilad Shalit (sequestrado pelos terroristas palestinos há quase 3 anos) iria voltar para casa. As negociações com o Hamas (através de um intermediador egípcio, no Cairo) duraram várias semanas mas terminaram no nada. Os palestinos subiram as suas exigências até um ponto que Israel não estava disposto a pagar.

Passei por uma tempestade: entre a razão e a emoção. A dor e a tristeza que causam o cativeiro de um irmão é difícil de ser medida. Com certeza o Hamas não se preocupa em tratar do Guilad de acordo com as convenções internacionais, e só D-us sabe como eu ficaria feliz de vê-lo voltar para casa. Porém a minha razão fez festa.

A decisão de sentar para negociar com o Hamas foi errada desde a raiz, assim como também foi a negociação que fizemos com o Hezbolá há alguns meses (quando recebemos os cadáveres dos dois soldados que perdemos no início da guerra do Líbano: Ehud Goldwasser e Eldad Reguev). Qualquer negociação om grupos terroristas tem consequências desastrosas.

A Mishná define uma regra clara. Apesar de que resgatar judeus cativos nas mãos de goim é a mitzvá mais importante da Torá, existe uma proibição de resgatá-los por um preço maior do que o seu valor de mercado (a Mishná se refere a uma época na qual cativos de guerra eram vendidos como escravos). O motivo: Tikun Haolam (o conserto do mundo).

A Mishná vem nos ensinar que apesar da dor que existe no cativeiro de um judeu somos proibidos de permitir que ela cale a nossa razão. Caso paguemos preços extorsivos e provemos que o sequestro de judeus é lucrativo e rentável, viramos vítimas de extorsões. Caso cedamos às exigências do Hamas, teremos uma epidemia de sequestros de soldados. Baseando-se nisso, muitos defendem que é necessário manter o princípio da proporcionalidade. Um soldado por um prisioneiro (e não 1 por 400 conforme os Hamas exige) e vivos por vivos (e não prisioneiros vivos por cadáveres igual fizemos com o Hezbolá no ano passado).

Porém acredito que nas circunstâncias atuais é proibido até mesmo uma negociação proporcional. Porque não se trata de uma comunidade judaica no meio da diáspora que não tem opção fora a pagar o resgate (que é o caso descrito pela Mishná). Aqui se trata de um país que dispõe de uma infinidade de meios de lidar com os palestinos. Nesse caso responder proporcionalmente é ceder a chantagem.

Israel não pode sentar para negociar com uma organização que lhe nega o direio de existência. Isso não é proporcional; não é simétrico. Israel pode cortar o suprimento de petróleo, eletricidade, bens humanitários, e água para pressionar o Hamas. Israel pode prender toda a cúpula do Hamas igual já fez em algumas ocasiões e trocá-la pelo Guilad. Israel não pode permitir ser pressionado; Israel deve pressionar. Por isso critico a açào da mídia e de todos aqueles que organizaram passeatas e manifestações pressionando o governo israelense a ceder nas negociações com o Hamas. Eu também quero o Guilad de volta, mas o slogan que foi bramido em Israel “a qualquer custo” é criancice.

Aliás, deixando todas as considerações de chantagens políticas de lado, a mais simples aritmética condena a liberação de terroristas. Já foram mortos mais de 1500 judeus por prisioneiros árabes que foram libertados por Israel devido a negociações ou como demonstração de boa vontade. Atualmente os jornais focam a família do Guilad e a sua dor. Só que eles não focam a dor de 1500 famílias que perderam os filhos devido a esse tipo de acordo. Queira D-us iluminar os nossos líderes para que não cedam a pressões (internas e externas) e tragam os cativos de volta para que possamos cantar com eles no seder de Pessach “avadim hainu... ata bnei chorin” - fomos escravos... agora, homens livres.

terça-feira, 10 de março de 2009

A consciência judaica

O exílio físico e espiritual do povo judeu tem dois grandes marcos: um no seu início (após a destruição do primeiro Beit HaMikdash) e um no seu final (antes da declaração da independência de Israel). O primeiro desses marcos foi Purim, quando foi frustrada por completo a tentativa de aniquilar o povo judeu. O segundo foi a Shoá, quando infelizmente, essa tentativa foi frustrada mais tarde do que devia.

O denominador comum entre os dois eventos foi o fato de um império de dimensões mundiais (o império Persa se alastrava desde as portas da Índia até o Egito, e a Alemanha nazista tinha pretensões não muito menores), sob cujo domínio vivia boa parte do povo judeu (no caso da Pérsia, literalmente todo o povo), declarar os judeus como inimigos nacionais passíveis de aniquilação.

De acordo com a Guemará, os judeus na época de Purim foram punidos (correndo risco de extermínio) porque participaram do banquete de Achashverosh. O rabino Shlomo Elkabatz (o autor do Lecha Dodi) escreveu o mais belo livro existente sobre a Meguilat Ester (o nome do livro é Matanot Levi). Nele ele explica que toda a comida da festa dada por Achashverosh era 100% Casher, e os judeus da época viram isso como uma autorização par tomarem parte nela. “Afinal de contas, se a comida é Casher qual é o problema?”

Essa observação feita pelo rav Elkabatz levanta uma pergunta pertubadora: então, pelo amor do bom D-us, qual foi o grando problema dos judeus terem participado da festa de Achasverosh? O problema é que o intuito dessa festa era divulgar a supremacia dos Persas sobre todas as outras nações conquistadas por eles, inclusive Israel. A Guemará descreve que Achashverosh fez questão de utilizar os utensílios do Beit HaMikdash na festa. Porém esse não era o motivo oficial da festa. Isso era apenas um ponto secundário na festa. Exatamente por isso os judeus se deram ao privilégio de ignorá-lo.

Essa é a maior paródia do judeu da Galut. A comida Casher é imprescindível, porém o desprezo pelo Templo pode ser ignorado. O, assim conhecido, judaísmo “do estômago para baixo” expressa a cabeça da Galut. Esse judeu pode se preocupar com todas as minúncias da Halachá, mas esquece do espírito que há por trás dela. Ele pode saciar a sua sede espiritual fechando-se em si mesmo e ignorando o que acontece ao seu redor. “O importante é que a comida do meu prato seja Casher”

Purim foi uma lição que nós precisávamos aprender no começo da Galut (infelizmente ainda não a assimilamos totalmente): judaísmo não é apenas religião. Não é possível ser um bom judeu ignorando o que acontece ao meu redor. Não nos é permitido fechar os olhos às afrontas que ocorrem ao nosso redor. Nós não podemos ignorar a nossa dimensão nacional.

Essa é parte do libelo de Haman e de Hitler: não importa o que o judeu faça ele sempre será um povo diferente dos outros, ainda que ele pise e sapateie sobre as sua mitzvot. Mesmo na Galut o judeu possui uma dimensão nacional e ai dele se esquecer disso. Ao entender isso o judeu fortalece as suas duas dimensões: tanto a religiosa como a nacional. Ele entende que é impossível dissociar a Torá do mundo real; externo. D-us escreve reto por linhas tortas, e sem dúvida parte da função da Galut é fortalecer a nossa identidade nacional.

Não somos uma nação como todas as outras. Graças a Torá nós somos capazes de sobrevivermos mesmo no exílio, longe da pátria. Porém não somos uma religião como todas as outras. Graças a Torá somos capazes de nos reunirmos ao fim do exílio de volta a nossa pátria.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Nada adianta contra a Propaganda

Durante o último conflito que ocorreu na faixa de Gaza, publicamos aqui um texto de João Pereira Coutinho, colunista da Veja. Agora á vez de Reinaldo Azevedo, colunista da mesma revista. Coloco aqui outro texto, que foi publicado na Veja da semana passada. 

"A notícia não está em nenhum dos jornais brasileiros ou nos grandes sites noticiosos. Lembram-se aquele ataque das Forças de Defesa de Israel a uma escola da ONU, que matou 43 pessoas? Pois é. Não foi numa escola da ONU coisa nenhuma, o que os israelenses vinham dizendo desde o dia 6 de janeiro. Só na segunda-feira, quase um mês depois, Mawell Gaylord, coordenador de ações humanitárias da ONU em Jerusalém, admite a verdade: o morteiro foi lançado numa rua PERTO da escola, mas não contra a escola.

Ora, recuperem o noticiário dos jornais e sites do Brasil e do mundo naquele dia 6. Lembro-me de ter aqui ironizado que os israelenses, maus como pica-paus, não podiam ver uma escola da ONU que iam logo jogando morteiros. Talvez para se livrar do tédio, não é? Ah, acusaram-me de insensível facinoroso. Marcelo Coelho, da Folha, sugeriu no jornal e no seu blog que tenho certa simpatia pelo assassinato em massa de crianças... Mais: como eu alertasse aqui para o óbvio — O HAMAS É A FONTE DAS NOTÍCIAS —, fui acusado de realismo estúpido. Coelho chegou a indagar algo como: “Para que jornalismo se já existem os militares?” Ou coisa assim. Chegou a minha vez de indagar: PARA QUE COELHO SE JÁ EXISTE O HAMAS?

O jornalismo dele, não sei para que serve. O meu existe, entre outras razões, para que os freqüentadores deste blog possam ler com mais acuidade o que é noticiado na imprensa.

Não se espante, leitor, se, naquele episódio, não tiverem morrido as 43 pessoas anunciadas. Todas, rigorosamente todas as ditas “atrocidades” cometidas por Israel têm origem no, como direi?, Departamento de Propaganda do Hamas: do grande número de crianças e civis mortos ao uso de bombas de fragmentação e fósforo branco para atacar pessoas. Este segundo caso, então, pode dar pano para manga. A tal substância não é considerada arma química. É empregada para iluminar alvos noturnos e criar cortina de fumaça para ação da infantaria. Israel nega que tenha feito qualquer coisa fora das leis internacionais. Como negava que tivesse jogado morteiro numa escola da ONU — e falava a verdade. De todo modo, abriu-se uma investigação.

Como se vê, o Hamas faz direitinho o seu trabalho. O ataque mentiroso à escola foi manchete do mundo inteiro. O desmentido, até agora, está apenas no Haaretz. O mundo também não se interessou em manchetar as torturas e execuções sumárias que se seguiram à retirada de Israel de Gaza.

A imprensa ocidental se deixou seqüestrar pela lógica terrorista. Esse caso da escola merece a justa designação: ESCÂNDALO. Quer dizer que os homens da ONU em Gaza demoraram um mês para fazer o que poderiam ter sido feito em cinco minutos? Escrevi aqui, certa feita, que o principal inimigo de Israel no Oriente Médio é a organização. Foi uma gritaria. Eis aí.

Bem, esperar o quê? O principal representante das Nações Unidas em Gaza é um sujeito que acredita que os próprios EUA tramaram o 11 de Setembro...

Pois é, leitores. Como diria aquele, quando já temos o terrorismo e a ONU, pra que certo jornalismo, não é mesmo?"

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Mastros no Mar Vermelho

Para nós, yehudim, globalização não é uma novidade. Judeus de todos os cantos do mundo vivem em sincronia, através de um mesmo calendário e um mesmo estilo de vida. É exatamente essa característica que ajuda a absorção de um yehudi em qualquer canto do mundo: sempre é possível encontrar algo que relembre a nossa casa (as mesmas rezas, os mesmo livros, os mesmos costumes, e até mesmo as mesmas piadas).
Porém existem diferenças, especialmente em Israel. A vida judaica aqui adquire um caráter nacional, o que a enriquece muitíssimo. Shabat passado lemos na Torá o "Az iashir" - a canção que o povo judeu cantou após a abertura do mar Vermelho, comemorando e agradecendo a bravura de D'us. Entre outras coisas que lembramos nessa canção está o conhecimento de que D'us é Aquele que guerreia por nós. "HaShem ish milchama, HaShem shemo". "D'us é um homem de guerras, D'us é o seu nome". Na continuação da parashá também lemos sobre a primeira guerra (e consequentemente, a primeira vitória) propriamente dita do povo judeu: a guerra contra Amalek.
Aproveitando esse cenário de fundo, o rabinato chefe de Israel decretou que esse Shabat seria dedicado para agradecer a D'us pelos milagres que Ele realizou nessa última guerra, no mês passado, em Gaza. Passei o Shabat em Kriat Arba, ao lado de Chevron. Após a reza de Kabalat Shabat e Arvit, fomos jantar com a família, e depois, mais tarde voltamos a sinagoga para cantar algumas músicas (conhecidas pelos sefaradim como "Bakashot"). Após aquecermos as gargantas, preparamos os ouvidos para escutar as histórias de alguns soldados que estiveram em Gaza.
Não importa quantos milagres escutemos, sempre é chocante escutá-los de primeira mão. Um soldado comentou que em um dado momento, na primeira semana da guerra atiraram granadas contra o seu destacamento. Ele contou, que ele próprio foi pego de surpreso e não teve reação naquele instante. Porém as granadas não explodiram. Outro deles contou que o seu destacamento havia sido designado para invadir Gaza na primeira noite da guerra, porém por problemas técnicos a invasão foi adiada até a manhã seguinte. Conforme os soldados foram avançando no dia seguinte, puderam distinguir fios elétricos espalhados no meio do vinhedo por onde eles avançavam. Assim que se deram conta, começaram a recuar: explosivos. Quando haviam conseguido atingir uns 100 metros de distância, escutaram as cargas explodindo: 7 delas de vários lugares simultaneamente. Ele contou que vários soldados foram jogados ao ar devido a força da explosão (e muitos viram as armas escaparem de suas mãos), porém apenas dois se feriram levemente. Seria impossível distinguir os fios no meio da noite.
Outro soldado contou que o seu comandante, não religioso, chegou para o seu destacamento no primeiro dia da guerra com um pacote cheio de tzitziot: "Ninguém entra em Gaza sem vestir um tzitzit antes! Isso irá nos proteger!". De acordo com ele, inclusive dois soldados voluntários peruanos (que não eram judeus) também vestiram os tzitziot. No fim do segundo dia dos combates quando puderam descansar, puderam perceber que havia furos de balas nas suas armas (no "cat", a parte de trás do fuzil, que é apoiada no ombro, a alguns centímetros da carótida e da jugular).
Milagres atrás de milagres... A palavra para milagre em hebraico é "nes". "Nes" também significa mastro. Algo que pode ser visto à distância. Através dos milagres, D'us acena para todos que ele está ali atrás.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Homens livres e shlichim

Aqui em Israel estamos no meio de uma guerra diplomática que foi aberta em várias frentes. Expulsamos o embaixador da Venezuela ontem (depois que o Huguito expulsou o embaixador israelense e vários shlichim da agência judaica de Caracas há algumas semanas). Fizemos com que o primeiro ministro turco abandonasse o fórum em Davos (depois de reafirmarmos o nosso direito a auto-defesa). E estamos pensando em alguma resposta para a decisão espanhola de processar oficiais do exército israelense por crimes de guerra (talvez seja essa a hora de pedir indenizações pelos judeus que os malditos avós dos espanhóis queimaram nas fogueiras da inquisição. Acho que isso configura um crime contra a humanidade, não?).
Enfim, espero que a vitória diplomática de Moshê no Egito (valendo-se de todos os meios de pressão disponíveis) na parashá dessa semana, possa nos iluminar.
Aliás, é nessa parashá que Moshê abre o segundo front de sua guerra: como tirar o Egito de dentro dos judeus. Como fazer com que 600 mil pessoas abandonem uma mentalidade de escravos?
A primeira medida (ou mitzvá, no vocabulário da psicologia do Tanach) foi o mandamento de santificar meses. No judaísmo os meses são lunares (numa antítese ao calendário egípcio pagão, baseado no sol), e quem declara o nascimento do mês é o tribunal central (que ficava ao lado do Beit HaMikdash) com base em testemunhas, que afirmavam terem visto a lua nova.
Ou seja: homens livres devem saber que eles tem o tempo em suas mãos. Somos nós que instituímos o nosso calendário (e consequentemente, as datas das festas, inclusive Pessach). Um escravo não precisa se preocupar com o relógio: o seu senhor se preocupa por ele. Mas nós somos homens livres, com todos os direitos e obrigações que isso implica.
A outra medida foi a instituição do Korban Pessach. Os judeus deveriam tomar um carneiro (que era idolatrado como deus pelos egípcios), amarrá-lo por 5 dias nos pés de suas camas, e sacrificá-lo e comê-lo no 5o dia. Que desparate aos egípcios! Onde já se viu? Matar e comer o deus alheio (ironia do destino: foi essa mesma acusação que a igreja católica carregou contra nós por 2000 anos). É verdade que devemos respeitar as idéias alheias, mas há um limite de quanto podemos tolerar – principalmente dentro de nossas casas.
Dentro de nossas casas nós somos soberanos, e não podemos aceitar qualquer influência cultural pagã. A ousadia é o contrário da submissão escrava.
Por fim. As leis do sacrifício de Pessach são a base do conceito de sociedade e “shlichut” (representação; procuração).
Duas famílias com poucos integrantes podiam dividir as despesas na compra de um único carneiro para ambas (a sociedade). E quando o representante da família sacrificava o carneiro, ele isentava toda a sua família da obrigação de sacrifício. Por mais que a Torá obrigou todos os judeus a sacrificarem carneiros, um único judeu podia representar e cumprir a obrigação de vários outros (que o nomeassem como “sheliach”). Nas palavras do Talmud: “Shlicho shel adam kemoto”. “O procurador de uma pessoa é como ela própria”.
Esses conceitos de sociedade e representação são a base do conceito de um povo e de uma nação. São a base de uma filosofia coletiva, onde existe um pacto social e uma obrigação mútua entre um grupo de pessoas. Parte do processo de virarmos indivíduos livres, é entendermos que fazemos parte de um povo, com o qual compartilhamos um passado e um futuro comum.
E é exatamente esse conceito que se esconde por trás de toda ofensa diplomática: quando o Chavez expulsa os enviados da Agência Judaica de Caracas, ele está enviando uma mensagem a todos os judeus do mundo, que são representado por eles. A mesma coisa com a decisão do juiz espanhol e os oficiais do exército de Israel. É exatamente por isso que a nossa resposta deve ser dura e exemplar. Por que nós somos homens livres.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Já está mais do que na hora de mudar

Na sinagoga, vemos essa semana que Moshe começa a luta para que os judeus saiam do Egito (valendo-se de meios diplomáticos e armas não convencionais). No jornal, os nossos soldados saíram de Gaza. Assim como o Faraó dava sinais de apaziguamento durante as pragas (e prometia libertar o povo judeu) mas depois voltava atrás, os palestinos também esquecem de quaisquer promessas e já aproveitam o atual período de trégua para se rearmarem. Infelizmente nós ainda não aprendemos a lição da História.

Aliás, os nossos sábios explicam que mais difícil que tirar o povo judeu do Egito, foi tirar o Egito de dentro do povo judeu. Em outras palavras: é difícil mudar a mentalidade de um povo que se acostumou a viver como escravo. Essa mentalidade explica o medo que o nosso povo teve de vir para Israel quando pecou com os espiões. O mesmo fenômeno ocorre hoje em dia. Temos o nosso país independente, mas ainda temos uma mentalidade dependente (como se diz em hebraico: "uma cabeça de exílio"). Desde que nossos soldados entraram em Gaza, Israel sofre muita pressão dos dirigentes, porém não respondemos a altura.

Por que quando a Rússia diz que "está preocupada com a situação humanitária em Gaza", não respondemos que "estamos preocupados com a situação humanitária na Chechênia"? Desde que começou a guerra, mandamos quase que semanalmente representantes ao Egito, que se enxerga como "o diplomata do Oriente Médio", para tratar sobre a "crise humanitária" e sobre o futuro controle na fronteira entre Gaza e o Egito. Por que o Egito não se deu ao trabalho de mandar uma única vez um representante a Tel Aviv? Aliás, por que nós não exigimos isso deles?

Há um consenso de que sempre que há uma negociação somos nós que devemos nos humilhar. Que o mundo pense assim é natural. Que nós concordemos com isso é assustador. Assim que saímos do Egito, D'us nos proibiu de voltar para lá (e esse é um dos 613 mandamentos). A partir da hora em que nos outorgaram a soberania, estamos proibidos de voltar a pensar como escravos. Nossos soldados deram a vida em Gaza para devolver a honra ao nosso Estado, e é imperdoável que nossos líderes joguem ela pela janela a troco de nada.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Obama na Casa Branca

Muitos estão com medo de como o novo presidente americano vai atuar em relação ao Oriente Médio, e mais precisamente, em relação a Israel. Alguns fatos me tranquilizam: (1) Barack Hussein Obama, descendente de muçulmanos, se converteu ao cristianismo; (2) o lobby que a comunidade possui na política americana continua forte; (3) Obama não  governa sozinho, depende de seus acessores e do senado, e (4) acima de tudo, o mundo sempre  vai ser governado por D'us e tudo o que ocorrer durante o mandato será o que Ele quiser.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Sim. É possível

Em tempos de guerra, vem à tona o conceito de Kidush HaShem. De acordo com o judaísmo há várias situações nas quais um judeu (ou um grupo de judeus) tem a oportunidade de fazer alguma ação que venha a "santificar o nome de D-us".
Essa idéia pode se manifestar de várias maneiras, e acho que nessa guerra uma delas ficou muito claro. É possível vencer terroristas que utilizam táticas de guerrilha! É possível vencer batalhas em terreno urbano! É possível lutar contra os jihadistas desse mundo!
O relativo fracasso dos EUA no Afeganistão e no Iraque, deram a impressão de que o mundo estava frente a uma nova ameaça que era impossível de ser vencida: a guerra (muitas vezes não declarada) contra terroristas, que embora fossem mais fracos do ponto de vista militar, tinham vantagens das táticas de guerrilha.
Os muçulmanos fanáticos de todo o mundo (e especialmente ao redor de Israel, vulgo "inimigo sionista") levantaram essa bandeira. Através de atentados seria possível dobrar os ocidentais infiéis, e as derrotas no Iraque (em 2005), Afeganistão (2001) e (de acordo com eles) no Líbano (em 2006), seriam provas de que eles haveriam encontrado a forma de subjugar todo o mundo ao Corão.
Porém nas últimas semanas Israel provou o contrário. É verdade: perdemos soldados (em Gaza) e civis (vítimas de mísseis), mas estamos conseguindo levar a cabo uma guerra contra o Hamas em seu próprio território. O que muitos acreditavam que seria o Vietnã israelense (dada a quantidade de túneis construídos pelos palestinos) se revelou uma vitória incontestável de Israel.
Se os méritos são exclusivos do nosso exército, e de sua disciplina? Felizmente não. É inegável a raça e a determinação dos nossos irmãos que lutam pelas vielas de Gaza (e dos heróis civis que vivem na retaguarda), mas a cada dia que passa ficam mais claros os milagres que ocorrem para as nossas tropas todos os dias a todo tempo. Bombas descobertas e neutralizadas no último instante. Minas que não explodiram. Tentativas de sequestro de soldados frustradas. A lista não termina.
Sem dúvida a guerra contra terroristas é dura e difícil, mas Israel está provando a todo o mundo, que com bastante disciplina e com a ajuda de D-us é possível vencer os chantagistas da Jihad (mesmo quando eles usam escolas, hospitais, ecudos humanos e mísseis com fósforo).

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Mudar as palavras

Coloco aqui um texto escrito por João Pereira Coutinho (jpcoutinho@folha.com.br), colunista da Folha. Seria bom se todos os brasileiros lessem, e quem sabe, muitos não seriam levados pela onda da mídia. É longo, mas vale a pena.
Mudar as palavras
ISRAEL ESTÁ novamente em guerra com os terroristas do Hamas, e não existe comediante na face da Terra que não tenha opinião a respeito. Engraçado. Faz lembrar a última vez que estive em Israel e ouvi, quase sem acreditar, um colega meu, acadêmico, que em pleno Ministério da Defesa, em Jerusalém, começou a "ensinar" os analistas do sítio sobre a melhor forma de acabarem com o conflito. Israel luta há 60 anos por reconhecimento e paz.
Mas ele, professor em Coimbra, acreditava que tinha a chave do problema. Recordo a cara dos israelenses quando ele começou o seu delírio. Uma mistura de incredulidade e compaixão.
Não vou gastar o meu latim a tentar convencer os leitores desta Folha sobre quem tem, ou não tem, razão na guerra em curso. Prefiro contar uma história.
Imaginem os leitores que, em 1967, o Brasil era atacado por três potências da América Latina. As potências desejavam destruir o país e aniquilar cada um dos brasileiros. O Brasil venceria essa guerra e, por motivos de segurança, ocupava, digamos, o Uruguai, um dos agressores derrotados.
Os anos passavam. A situação no ocupado Uruguai era intolerável: a presença brasileira no país recebia a condenação da esmagadora maioria do mundo e, além disso, a ocupação brasileira fizera despertar um grupo terrorista uruguaio que atacava indiscriminadamente civis brasileiros no Rio de Janeiro ou em São Paulo.
Perante esse cenário, o Brasil chegaria à conclusão de que só existiria verdadeira paz quando os uruguaios tivessem o seu Estado, o que implicava a retirada das tropas e dos colonos brasileiros da região. Dito e feito: em 2005, o Brasil se retira do Uruguai convencido de que essa concessão é o primeiro passo para a existência de dois Estados soberanos: o Brasil e o Uruguai.
Acontece que os uruguaios não pensam da mesma forma e, chamados às urnas, eles resolvem eleger um grupo terrorista ainda mais radical do que o anterior. Um grupo terrorista que não tem como objetivo a existência de dois Estados, mas a existência de um único Estado pela eliminação total do Brasil e do seu povo.
É assim que, nos três anos seguintes à retirada, os terroristas uruguaios lançam mais de 6.000 foguetes contra o Sul do Brasil, atingindo as povoações fronteiriças e matando indiscriminadamente civis brasileiros. A morte dos brasileiros não provoca nenhuma comoção internacional.
Subitamente, surge um período de trégua, mediado por um país da América Latina interessado em promover a paz e regressar ao paradigma dos "dois Estados". O Brasil respeita a trégua de seis meses; mas o grupo terrorista uruguaio decide quebrá-la, lançando 300 mísseis, matando civis brasileiros e aterrorizando as populações do Sul.
Pergunta: o que faz o presidente do Brasil?
Esqueçam o presidente real, que pelos vistos jamais defenderia o seu povo da agressão.
Na minha história imaginária, o presidente brasileiro entenderia que era seu dever proteger os brasileiros e começaria a bombardear as posições dos terroristas uruguaios. Os bombardeios, ao contrário dos foguetes lançados pelos terroristas, não se fazem contra alvos civis -mas contra alvos terroristas. Infelizmente, os terroristas têm por hábito usar as populações civis do Uruguai como escudos humanos, o que provoca baixas civis.
Perante a resposta do Brasil, o mundo inteiro, com a exceção dos Estados Unidos, condena veementemente o Brasil e exige o fim dos ataques ao Uruguai.
Sem sucesso. O Brasil, apostado em neutralizar a estrutura terrorista uruguaia, não atende aos apelos da comunidade internacional por entender que é a sua sobrevivência que está em causa. E invade o Uruguai de forma a terminar, de um vez por todas, com a agressão de que é vítima desde que retirou voluntariamente da região em 2005.
Além disso, o Brasil também sabe que os terroristas uruguaios não estão sós; eles são treinados e financiados por uma grande potência da América Latina (a Argentina, por exemplo). A Argentina, liderada por um genocida, deseja ter capacidade nuclear para "riscar o Brasil do mapa".
Fim da história? Quase, leitores, quase. Agora, por favor, mudem os nomes. Onde está "Brasil", leiam "Israel". Onde está "Uruguai", leiam "Gaza". Onde está "Argentina", leiam "Irã". Onde está "América Latina", leiam "Oriente Médio". E tirem as suas conclusões. A ignorância tem cura. A estupidez é que não.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Moral 100%

Minhas desculpas porque justamente na semana mais agitada desde que cheguei em Israel não pude escrever nada. O motivo: estive acompanhando um grupo de brasileiros como guia turísitico durante esses dias (uma das formas como um olê pode garantir o seu sustento nesse país de estrangeiros).

O rav Kook escreve que as guerras tem a capacidade de trazer a tona as características mais profundas de cada povo. A guerra é uma situação extrema onde cada povo tem a oportunidade de demonstrar quais são os seus valores mais profundos. Com toda a dor que existe em uma guerra, é lindo ver a força e a coragem que o povo judeu demonstra. Assim que começou o bombardeio a Gaza e foram lançados foguetes a Israel em resposta, várias famílias que vivem no centro e no norte de Israel anunciaram que estavam de portas abertas para receber famílias do sul que quisessem abandonar a zona de fogo durante a guerra. Porém mais bonito ainda foi ver a resposta das famílias do sul: "Nós não iremos abandonar as nossas casas!". Que povo tào especial é esse que está disposto a arriscar as vidas por esse pedaço de terra. Não estamos falando de soldados, mas de famílias de civis que entendem que eles também fazem parte da guerra, e que a coragem que eles demosntram é a maior derrota dos palestinos.

O Hamas acredita que Israel é uma sociedade que perdeu o idealismo e se rendeu ao consumismo ocidental descomprometido de quaisquer valores e ideais. Eles acreditam que os israelenses de hoje em dia não estão dispostos a sacrificar a sua qualidade de vida pelo ideal sionista. Eles acreditam que se nos bombardearem um pouco e dificultarem as nosssas vidas nós batiremos em retirada e abandonaremos esse canto do mundo. Essas famílias do sul mostraram que eles estão errados. Essa guerra que começou em Chánuka, iluminada com o fogo dos chashmonaim é uma prova de que o nosso povo é forte e corajoso e está regado por ideais.

Ontem as tropas terrestres invadiram a faixa de Gaza, iniciando uma nova fase nessa guerra que irá trazer de volta o orgulho aos habitantes do sul de Israel. Cada um dos soldados está lutando uma batalha pelo Kidush HaShem. Cada um deles está lutando para deixar claro que nós somos os soberanos dessa terra por direito e que nós não iremos abaixar a nossa cabeça para ninguém entre o Jordão e o Mediterrâneo. Que D'us encha o coração de nossos líderes, soldados e habitantes de coragem e bravura, e proteja a todos nós.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Contra a parcialidade na blogosfera

Já publicamos aqui sobre o canal que o exército israelense abriu no YouTube e sobre o blog Vítimas de Gaza, que mostra a realidade israelense consequente dos mísseis vindos de Gaza.

Encontramos mais um blog que caminha em um sentido semelhante, de esclarecer os motivos das ações e operações israelenses em Gaza. Com vídeos, textos e infográficos, o blog Na Mira do Hamas nos ajuda (ou melhor, ajuda os que recebem informações e opiniões prontas e/ou distorcidas) a enxergar o conflito com outra ótica e a formar opiniões diferentes e divergentes. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Mais contra-ataques (pela internet)

Não é só em Israel que há tentativas de mostrar o lado israelense da história pela internet (como comentamos na última postagem). Aqui no Brasil o blog Vítimas de Gaza tomou a iniciativa. Não entenda vítimas que estão em Gaza, mas sim vítimas dos ataques vindos de Gaza.

O blog colocou vídeos de terroristas lançando seus mísseis, e vídeos de suas conseqüências em território israelense. Vídeos que não vemos nos jornais nacionais (desculpa o trocadilho) ou nos sites de notícias. Destaque para o texto 'vamos fazer um desafio' na lateral direita do site. Vale a pena entrar, ver e ler.

Exército Israelense no YouTube

Segunda-feira, dia 29, as forças de defesa de Israel resolveram lutar em mais um campo de batalha: a internet. Como sabemos, na rede não faltam vídeos, blogs, sites de grandes canais que enfoquem mais o sofrimento causado pelos ataques israelenses. Em um tipo de resposta, a unidade responsável pelas relações públicas do exército, mostra através de um canal no YouTube que os ataques tem como alvo somente o Hamas.
Pelos vídeos é possível ver que Israel não está somente atacando, como ajudando em alguns casos, e também a precisão cirúrgica dos ataques. Alguns são filmados a partir de aviões ou helicópteros em ação, outros por câmeras nos próprios mísseis.

Coloco aqui um dos vídeos que mais me chamou atenção. Ontem, após mais de 10.000 visualizações, foi retirado do ar pelo YouTube. Mais tarde foi colocado novamente.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Águas de Chánuka

Finalmente chegaram as chuvas. Depois de algumas semanas de espera (vários rabinos daqui decretaram, frente o quadro de estiagem, que era necessário acrescentar um trecho a mais na reza diária, pedindo por chuvas) abriram-se os alçapões do céu. Hoje cheguei encharcado no meu apartamento!

É difícil para filhos de um "país tropical abençoado por Deus" entenderem a importância da chuva. Alguém que fica preso por uma hora num engarrafamento nas marginais e tem a oportunidade de contemplar o volume imenso de água que é poluído e desperdiçado, inconscientemente acaba banalizando a importância da água. Lembro da sensação que acompanhava a chuva na cidade da garoa. A desilusão de ter que ficar em casa, ou de perder um fim de semana na praia. Quando vi as pessoas aqui em Israel, com um sorriso estampado na cara, e algumas fazendo questão de andar sem guarda chuva pra sentir na carne a tão esperada chuva, me dei conta de o quão infantil era a minha decepção tropical.

Porém a pergunta fica no ar: porque a terra que de acordo com a Torá foi escolhida e abençoada por D'us precisa ficar a mercê de estiagens? Se a terra é tão abençoada assim, porque D'us não colocou o Amazonas aqui no meio? Moshe foi o primeiro a descrever esse paradoxo, quando disse que "essa terra, na qual vocês irão entrar, não é como o jardim verde do Egito". Em outras palavras: o rio Yarden (Jordão) não chega nem perto do Nilo. Os rios e o regime fluvial representam os regimes cíclicos: as cheias e as entre-épocas. Por outro lado as chuvas representam o inesperado. A terra de Israel não se apoia em rios, mas em chuvas; ela se apóia na bondade de Deus. E a recompensa divina está condicionada ao nosso comportamento.

No Egito, todos tem a mesma recompensa: sejam bons ou malvados, a cheia do Nilo será idêntica a do ano passado. É como aquele pai que ao invés de gastar um tempo para o seu filho, lhe dá uma mesada gorda, coloca uma telvisão no seu quarto e assim se livra de qualquer chateação. Aqui em Israel pode ser que a nossa mesada não seja tão gorda, mas nós temos uma linha direta com o Manda-Chuva (nos dois sentidos). Porque quem ama, educa.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Festa em Gaza

Essa semana o Hamas comemorou seus 21 anos de existência. Aproximadamente 150.000 pessoas saíram às ruas de Gaza para festejar com suas bandeiras, bonés e faixas verdes que representam a ideologia do Hamas. Em uma cerimônia com músicas e peças, tivemos um presente nem um pouco agradável: eles fizeram uma encenação tirando sarro de Guilad Shalit. Um terrorista do Hamas vestia a roupa do exército israelense, e imitava o soldado pedindo por liberdade. Shalit já em cativeiro há mais de 900 dias.
Por incrível que pareça, amanhã lemos na parashá de Vaieshev o que sofreu Yossef enquanto estava preso no Egito, e todas as ridicularizações que faziam em cima dele após o que ocorreu com a mulher de Potifar. Espero que da mesma maneira que Am Israel saiu do Egito, mesmo passando por muito sofrimento, Guilad também saia do cativeiro, porém mais rápido que seus antepassados - dois anos já foram mais do que suficiente para nos dar tristeza.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Indignação atemporal

Em geral, evito falar de política, mas a não ser que eu fosse um alienígena seria impossível deixar isso de lado depois dessa semana. Por dois motivos: O isralense adora política. Quando estudava na Poli, lembro que o único jornal que entrava na sala de aula era o 'Lance!': "política é coisa do pessoal da FFLCH (Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas)". Acho que no mundo inteiro o campo das ciências exatas é um pouco alienado da política, mas aqui é um pouco diferente. Nem a faculdade de matemática se salva. Os números pertencem a partidos. E principalmente nessas semanas, quando a trégua com o Hamas termina, os mísseis voltam a cair sobre Sderot e as eleições se aproximam. Os partidos organizam as primárias (características do sistema parlamentarista, estranhíssimo para nós brasileiros... democrático demais).
Mas há um outro agravante nessa semana: Chánuca. O sionismo laico a transformou em uma festa cívica: um símbolo do espírito judeu que grita pela liberdade contra gregos opressores. As emissoras de televisão inserem o acendimento de velas na programação e as partidas de futebol nessa semana incluem o acendimento da chanukiá antes do jogo. Talvez muitos israelenses sequer saibam que há um mandamento de acender velas no Shabat, mas sem dúvida sabem a brachá do acendimento das velas de Chánuca.
Na minha humilde opinião, Chánuca vem exaltar o idealismo. É a derrota dos pragmáticos. Chánuca não foi apenas a vitória dos judeus sobre os gregos: foi a vitória dos judeus sobre os helenistas. Da minoria sobre a maioria. A beleza de Chánuca é que um senhor de idade chamado Matitiahu não estava disposto a aceitar a realidade como ela era. Apesar de sua idade, ele manteve a capacidade quase única dos jovens de se indignar. É óbvio que os velhos não se dispuseram a segui-lo. Os pragmáticos sempre estão dispostos a tachar qualquer idealista de fanático, mas os jovens (comandados pelos seus filhos, entre eles Yehudá HaMakabi) escutaram a sua voz e puderam trazer o orgulho de volta a Am Israel, e graças a eles acendemos as velas na semana que vem.
Queira D'us que esse Chánuca possa iluminar todos os nossos líderes. Como nas palavras do Milton Nascimento: "Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração... Pois não posso não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver. E não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal". Seja essa sacanagem um caso de corrupção, a imposição de outra cultura, ou mísseis caindo sobre Sderot.

domingo, 30 de novembro de 2008

Mais amor

Na reza adicional de Rosh Chodesh (mussaf do início do mês), nós dizemos. "Rashei Chodashim leamcha natata, zman kapará lechol toldotam, bihiotam makrivim lefanecha zivchei ratzon" ("Você [D-us] deu rashei chodashim para o seu povo. Um período apropriado para a expiação dos pecados de seus descendentes. Quando eles sacrificaram perante Você os seus sacrifícios".

Mas "Mipnei chataenu galinu meartzenu" ("Graças aos nossos pecados, fomos expulsos de nossa terra"). Portanto hoje em dia nós não temos mais nosso Bet Hamikdash (Templo), nem um altar aonde possamos fazer os sacrifícios, e a reza de mussaf que nós fazemos no Rosh Chodesh é um pálido substituto dos sacrifícios. Os nossos sábios explicam que o segundo Templo foi destruído pelo ódio gratuito (sinat chinam) e que o terceiro só será reconstruído através de amor gratuito (ahavat chinam). Toda geração que não tem o privilégio de ver o terceiro Templo reconstruído equivale a geração na qual o segundo Templo foi destruído. Ou seja, se nós ainda não temos o Bet HaMikdash hoje em dia, é porque ainda sofremos da mesma doença que destruiu o anterior há 2000 anos: o ódio gratuito.

E numa realidade imperfeita como a nossa, quando não existem sacrifícios que possam expiar os nossos pecados, são os judeus mais puros que assumem o papel do "bode expiatório" (o bode que era sacrificado no Templo em todas as festas e nos rashei chodashim). Esse foi o segundo Rosh Chodesh em menos de 12 meses que foi regado pelo sangue de yehudim exemplares. Korbanot Tehorot. Em Adar (março), foram os 8 alunos de Merkaz haRav, e sexta feira foram os yehudim do Beit Chabad de Bombai. Um dia alegre tomou um tom trágico e de desespero.

Porém Kislev é o mês de Chánuca. Um mês cujo final dele promete luzes. E se sexta feira pudemos ver um dos piores efeitos colaterais da sinat chinam, nesse shabat eu pude ver um exemplo incrível de ahavat chinam. Passei o shabat em Efrat (uma cidade ao sul de Jerusalém, que foi fundada por judeus que fizeram aliá dos EUA). Foi um shabat organizado para pessoas que passaram ou estão passando por um processo de conversão. Eu junto com mais uns amigos da Yeshivat HaKotel fomos convidados para ajudar a criar uma atmosfera de shabat (com músicas, dança, e algumas palavras de Torá). Nós fomos chamados para dar, mas acabamos recebendo. O rabino responsável pelo instituto, o rav Birenboim, e sua mulher Renana, me mostraram como é possível traduzir em ações práticas o conceito de ahavat chinam. Eles acompanham as pessoas não apenas durante o processo de conversão, mas também depois dele, e cumprem uma das mitzvot mais importantes da Torá: a de respeitar o convertido. Conforme a mulher do rabino explicou: eles fazem o papel de parteiros, e são as próprias pessoas que dão a luz a si próprias, pois converter-se é comparado a um renascimento. Eles são parteiros e a cada parto ganham um irmão.

Talvez se houver mais alguns casais como esse em Bnei Israel, no mês que vem, não nos contentaremos apenas com uma tefilá de mussaf.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

[Livro] Assim nasceu Israel - Lançamento

Dia 29/11, sábado, às 19h45, em Curitiba, será lançado oficialmente o livro "Assim nasceu Israel", de autoria do diplomata guatemalteco Jorge García Granados. Escrito em 1949, só agora traduzido para o português pelo jornalista Szyja Lorber em parceria com a bioquímica Sara Schulman, e é o primeiro relatório detalhado, feito por uma testemunha que viveu o que a Comissão Especial das Nações Unidas para a Palestina (UNSCOP) encontrou na Terra Santa, como e porque se decidiu pela partilha e como nasceu Israel. O lançamento acontecerá na Livraria Saraiva do Shopping Crystal Plaza, Rua Comendador Araújo, 731, Batel. Haverá palestras sobre o tema com o jornalista Aroldo Murá Gomes Haygert e com o professor Antonio Carlos Coelho
 
Granados foi o primeiro embaixador da Guatemala em Israel e instalou a embaixada em Jerusalém. Décadas mais tarde, a Guatemala, sob pressão internacional mudou a embaixada para Tel-Aviv.
 
No ano passado, Israel reuniu os descendentes dos representantes latino-americanos que participaram na UNSCOP e da votação da partilha para um evento especial pelos 60 anos da decisão da ONU. Foram recebidos pelo presidente Shimon Peres, inauguraram uma praça e participaram de um almoço no Ministério das Relações Exteriores. O bisneto de Granados foi escolhido para falar em nome dos homenageados. E surpreendeu a todos com uma declaração que dizia que ele "se sentia muito honrado em ser descendente de alguém escolhido por Deus para o ser o instrumento de Sua promessa de dar povo judeu a terra de Israel".

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Entre um ônibus e outro



Me mudei pra Chaifa, mas (graças ao bom D'us) é impossível esquecer Yerushalaim. Por isso, preciso voltar pra cidade das pedras no Shabat. Descobri que exitem algumas linhas de ônibus da Egged (a maior compania de ônibus de Israel), que servem ao consumidor charedi (também conhecidos como ultra-ortodoxos) da cidade de Chaifa. Elas saem diretamente do bairro charedi Vijnitz (com um ponto de ônibus que fica providencialmente próximo ao Technion) e levam à Yerusahalaim, Bnei Brak e Ashdod. Observação interessante: as passagens custam quase 40% a menos que nas linhas convencionais. Isso se deve à lotação dos ônibus e a inexistência de passageiros com direito a descontos na compra de passagens (entre os charedim há menos estudantes universitários, e soldados - esses últimos isentos de pagar qualquer passagem de ônibus).

A suprema corte está ameaçando baixar uma liminar proibindo essas linhas sob o argumento de que elas promovem uma segregação e uma discriminação, pois reduzem o contato entre charedim e não religiosos, que agora nem precisam ter o incômodo de se encontrarem na estaçào de ônibus. (O argumento é válido, mas é óbvio que a suprema corte nunca se daria ao trabalho de proibir uma linha equivalente que servisse a população não religiosa. Ao lado de todo esse discurso repousa um pouco do já sabido sentimento anti-religioso dos juízes da suprema corte).

Enquanto nada é decidido, eu me aproveito dessa associaçào entre as leis de Moshe e a lei da oferta e procura, e promovo a integraçào entre o setor sionista-religioso e o setor charedi. Detalhe interessante: apesar de todo a argumentação sobre segregacionismo e discriminação, peguei um ônibus cujo motorista era árabe, e era conhecido de todos os passageiros com chapéu, capota e peiot, que o cumprimentavam com muito entusiasmo. Parece que a distância entre Mea Shearim e a suprema corte se tornou maior do que a entre Ishmael (árabes) e Itzchak (judeus).