sexta-feira, 19 de junho de 2009
Quem mente melhor?
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Cuidado no Alerta
Até ai, muitos sabem que devem advertir, mas não sabem como fazê-lo. Mesmo com a intenção boa, acabam agindo da maneira errada – e as conseqüências podem ser piores do que a indiferença.
D’us nos dá o mandamento de amar o próximo. Não é por acaso que isso aparece exatamente no versículo seguinte ao que nos ensina sobre a advertência. Daqui tiramos a primeira lição. Assim como D’us quer o bem de todas suas criaturas, porque Ele ama a cada um e um, nós devemos ser também. Deve ficar claro, tanto para quem fala quanto para quem ouve, que a força motora dessa conversa deve ser a mais pura possível: o amor. Todo o approach e a maneira de se passar a mensagem devem ser feitos o mais carinhosa possível.
Mas muitos ainda assim não se sentem bem, alegando que o certo é relativo. Perguntam a si mesmos: "desde quando somos os donos da verdade?". Desde que recebemos a Torá. Com ela, temos certeza do que é certo errado, aos olhos Daquele que criou o certo e o errado. Qualquer advertencia deve ser feita livre de interesses pessoais, com base no certo absoluto - e não relativo.
Por fim, mais uma lição: da nossa lashon hakodesh. É sabido que todas as palavras do hebraico possuem seus sentido ligado a sua raiz gramatical. O verbo advertir, lehochiach, também significa comprovar. Não podemos falar de advertencia sem lembrar que devemos mostrar para a pessoa o motivo dela estar errada. Advertir alguém por um erro que ela sequer não sabe ou não tem noção da gravidade é querer ensinar a atirar no escuro.
Que com se apoiando na base da Torá - o amor- possamos iluminar aqueles que estão a nossa volta, além de obviamente saber aceitar críticas construtivas da maneira adequada. Só assim poderemos ter um mundo mais correto, mais justo, e principalmente com o objetivo de toda a criação: o amor entre as pessoas.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Aficoman
Sem dúvida o Seder de Pessach é uma das maiores criações pedagógicas judaicas. Uma aula interativa que se vale de todos os recursos sensoriais e psicológicos para incutir o sentimento da redenção dos judeus do Egito nas novas gerações
Portanto existem no Seder vários pequenos detalhes que podem passar desapercebidos por um observador desatento. Um deles é o Iachatz.
Na frente do condutor do seder existe uma Keará (bandeja) sobre a qual, entre outras coisas, se encontram 3 matzot. Após comermos o Karpas (a batata ou o salsão mergulhado na água com sal), o condutor do seder agarra a Matzá central e a parte na metade, e esconde metade dela para o Aficoman (que é procurado pelas crianças no fim do Seder).
Esse costume enigmático representa mentalidade de escravos com a qual iniciamos o Seder. Ao vermos um pouco de comida na nossa frente, guardamos metade para amanhã. Quem pode ter certeza se amanhã teremos mais? Somos como refugiados de guerra que temem pelo futuro incerto.
Porém quando chegamos ao fim do Seder, após termos lido a Hagadá e jantado, passamos por uma transformação. Agora não somos mais escravos: somos homens livres. Agora não tememos pelo amanhã: nós confiamos plenamente que o mesmo D-us que nos tirou do Egito irá nos garantir a janta de amanhã.
Portanto, quando chegamos ao fim do Seder, mandamos as crianças buscarem o Aficoman, e o comemos sem pensar duas vezes. Aliás, de acordo com a Lei Judaica o Aficoman precisa ser comido antes da meia noite. É proibido manter a “cabeça de escravo” por tempo demais.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Just do it
Se planejar algo e colocar em prática fosse a mesma coisa, não haveria necessidade de repetir cada vírgula da construção do mishkan. Isso vem nos mostrar que, pelo judaísmo, a teoria e a prática são coisas completamente distintas. Apesar de serem extremamente ligados e dependentes, o momento do planejamento teórico é um, e o da execução é outro. Cada um tem seu valor independente, e por isso, no judaísmo, mesmo que não se entenda algum conceito ou alguma mitsvá perfeitamente, ganhamos sua recompensa somente por realizá-la. É sabido também que todo o objetivo final de estudar Torá é trazê-la ao mundo físico, e transormá-lo, através de mudanças e ações, seja no relacionamento com si mesmo, com os outros ou com D'us.
Aqueles que fazem mais do que falam estão no caminho certo. Como dito em Pirkei Avót (Ética dos Pais), "Emor meat, vaasse harbe" - fale pouco e faça muito.
terça-feira, 24 de março de 2009
Livros ambulantes
terça-feira, 10 de março de 2009
A consciência judaica
terça-feira, 3 de março de 2009
Ninguém nos apaga
A data foi lembrada, na mesma yeshivá, de forma muito bonita e de um ponto de vista . Ao invés de expressar ódio e outros sentimentos de vingança, a última quarta foi marcada por muito amor: oito novos sifrei Torá foram doados, cada um em memória a um estudante assassinado. Amor pela Torá, amor por Am Israel, amor por Eretz Israel. Foi demonstrado, mais uma vez, que a fonte inesgotável de sabedoria e alegria do povo judeu nunca poderá ser apagada da face da terra. Podem tentar nos apagar quantas vezes quiserem - mas escreveremos a nossa essência quantas vezes for necessário.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Cada coração é precioso

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Quem viu?
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Mastros no Mar Vermelho
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Homens livres e shlichim
Enfim, espero que a vitória diplomática de Moshê no Egito (valendo-se de todos os meios de pressão disponíveis) na parashá dessa semana, possa nos iluminar.
Aliás, é nessa parashá que Moshê abre o segundo front de sua guerra: como tirar o Egito de dentro dos judeus. Como fazer com que 600 mil pessoas abandonem uma mentalidade de escravos?
A primeira medida (ou mitzvá, no vocabulário da psicologia do Tanach) foi o mandamento de santificar meses. No judaísmo os meses são lunares (numa antítese ao calendário egípcio pagão, baseado no sol), e quem declara o nascimento do mês é o tribunal central (que ficava ao lado do Beit HaMikdash) com base em testemunhas, que afirmavam terem visto a lua nova.
Ou seja: homens livres devem saber que eles tem o tempo em suas mãos. Somos nós que instituímos o nosso calendário (e consequentemente, as datas das festas, inclusive Pessach). Um escravo não precisa se preocupar com o relógio: o seu senhor se preocupa por ele. Mas nós somos homens livres, com todos os direitos e obrigações que isso implica.
A outra medida foi a instituição do Korban Pessach. Os judeus deveriam tomar um carneiro (que era idolatrado como deus pelos egípcios), amarrá-lo por 5 dias nos pés de suas camas, e sacrificá-lo e comê-lo no 5o dia. Que desparate aos egípcios! Onde já se viu? Matar e comer o deus alheio (ironia do destino: foi essa mesma acusação que a igreja católica carregou contra nós por 2000 anos). É verdade que devemos respeitar as idéias alheias, mas há um limite de quanto podemos tolerar – principalmente dentro de nossas casas.
Dentro de nossas casas nós somos soberanos, e não podemos aceitar qualquer influência cultural pagã. A ousadia é o contrário da submissão escrava.
Por fim. As leis do sacrifício de Pessach são a base do conceito de sociedade e “shlichut” (representação; procuração).
Duas famílias com poucos integrantes podiam dividir as despesas na compra de um único carneiro para ambas (a sociedade). E quando o representante da família sacrificava o carneiro, ele isentava toda a sua família da obrigação de sacrifício. Por mais que a Torá obrigou todos os judeus a sacrificarem carneiros, um único judeu podia representar e cumprir a obrigação de vários outros (que o nomeassem como “sheliach”). Nas palavras do Talmud: “Shlicho shel adam kemoto”. “O procurador de uma pessoa é como ela própria”.
Esses conceitos de sociedade e representação são a base do conceito de um povo e de uma nação. São a base de uma filosofia coletiva, onde existe um pacto social e uma obrigação mútua entre um grupo de pessoas. Parte do processo de virarmos indivíduos livres, é entendermos que fazemos parte de um povo, com o qual compartilhamos um passado e um futuro comum.
E é exatamente esse conceito que se esconde por trás de toda ofensa diplomática: quando o Chavez expulsa os enviados da Agência Judaica de Caracas, ele está enviando uma mensagem a todos os judeus do mundo, que são representado por eles. A mesma coisa com a decisão do juiz espanhol e os oficiais do exército de Israel. É exatamente por isso que a nossa resposta deve ser dura e exemplar. Por que nós somos homens livres.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Ioiô
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Rav e Ph.D.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Podar a árvore
Na Hagadá de Pessach há um trecho muito interessante no qual dizemos que Lavan foi muito pior do que o Faraó, porque Faraó “havia decretado a morte apenas aos bebês homens, porém Lavan quis arrancar tudo” (sic). Por mais marxistas que sejamos é difícil de entender porque a Torá enxerga a personalidade de um chefe cruel pior que a de um déspota genocida. O maior problema de Lavan era a sua capacidade de manipular e omitir a verdade. E essa característica não se revelou apenas no referente aos pagamentos: quando Yaakov decidiu fugir para Israe levando consigo seus filhos de volta a casa de seu pai, foi surpreendido por Lavan: “Como você pode partir sem deixar-me beijar os meus netos e minhas filhas?!”.
Lavan era capaz de se mostrar como um amigo e uma pessoa razoável. Ele era capaz de se mostrar como um avô carinhoso. Esse é o perigo que ele oferece. Existem dois tipos de inimigos do povo judeu. Um deles é como o Faraó e Essav. O ódio é declarado e a animosidade se revela ainda na barriga da mãe. Eles podem almejar matar-nos, e atirar todos os nossos filhos ao mar, mas por mais que possam nos machucar, não tem a força necessária para nos aniquilar; por mais que possam promover um Holocausto não podem impedir a fundação de um Estado Judeu em 1948. Am Israel é comparado a uma árvore. Por mais que se corte um galho, a árvore persiste.
Porém Lavan queria arrancar a árvore até as últimas raízes. Uma árvore assim não tem a menor chance de sobreviver. Lavan não queria matar Yaakov. Ele só queria impedi-lo de voltar a casa de seu pai. Ele só queria beijar seus netos mais uma vez. Ele só queria que seus netos crescessem de acordo com os seus valores; estudassem nas suas escolas; casassem com os seus parentes. Ele só queria que a família de Yaakov assimilasse a sua cultura e a seu povo. É difícil para um judeu entender que às vezes é necessário esquivar-se de um ambiente que não lhe pertence, e voltar para a casa de seu pai. Afinal de contas Lavan é o nosso avô “carinhoso”. O anti-semitismo é terrível, porém uma sociedade aberta e tolerante nos obriga a sermos cuidadosos. É preciso saber quem é Lavan e quando chega a hora de voltar para casa.